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Descoberta no Brasil revela impacto cósmico há mais de 6 milhões anos

Primeiro campo de tectitos do Brasil amplia conhecimento sobre impactos cósmicos

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Geraisitos: vidros cósmicos revelam impacto no Brasil há 6 milhões anos (Imagem: Álvaro Penteado Crósta/IG-Unicamp) Fala Ciência

Uma descoberta inédita no Brasil está mudando nossa compreensão sobre impactos cósmicos em território nacional. Pesquisadores identificaram vidros naturais, chamados de tectitos, formados pela colisão de objetos extraterrestres com a Terra há aproximadamente 6,3 milhões de anos. Esta é a primeira vez que um campo de tectitos é documentado no país, com exemplares encontrados em Minas Gerais, Bahia e Piauí.

Os vidros são conhecidos por sua formação única: o impacto derrete rochas locais, que se solidificam rapidamente em fragmentos de vidro com propriedades físicas e químicas específicas. No caso brasileiro, eles receberam o nome de “geraisitos”, e seu estudo oferece uma janela para eventos cósmicos raros em nosso planeta. Principais características dos geraisitos brasileiros:


  • Extensão do campo de achados: de 90 km inicialmente em Minas Gerais para cerca de 900 km com novas descobertas na Bahia e Piauí;
  • Peso dos fragmentos: variando de menos de 1 g até 85,4 g;
  • Cor: preta opaca, que muda para verde-acinzentado quando exposta à luz;
  • Quantidade já catalogada: mais de 600 fragmentos reunidos.

Um registro global de impactos raros


Antes do achado no Brasil, apenas cinco campos de tectitos eram conhecidos mundialmente: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize. A descoberta brasileira, publicada na revista Geology, coloca o país em destaque no estudo de eventos cósmicos antigos, permitindo comparações com os impactos globais mais significativos.

Campo de tectitos brasileiros expande nosso conhecimento sobre colisões (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Estudos de datação isotópica de argônio indicam que o evento ocorreu há cerca de 6,3 milhões de anos, embora essa idade represente um limite máximo, pois parte do argônio poderia ter origem nas rochas pré-existentes atingidas pelo impacto.


Onde estaria a cratera?

Apesar da abundância de fragmentos, a cratera resultante da colisão ainda não foi identificada. Pesquisadores apontam para o cráton do São Francisco, que abrange Minas Gerais, Bahia e Sergipe, como possível local do impacto. Investigações futuras podem não apenas localizar o buraco, mas também reconstruir a magnitude do evento e o tamanho do objeto extraterrestre que atingiu a Terra.


O estudo dos geraisitos brasileiros reforça a importância de explorações geológicas detalhadas e o potencial do país em contribuir para a compreensão global de impactos cósmicos. Além disso, demonstra como fragmentos aparentemente pequenos podem contar grandes histórias sobre o nosso planeta.

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