Diabetes tipo 2 pode acelerar desgaste muscular, aponta estudo
Pesquisa identifica mecanismo molecular por trás da perda de força
Fala Ciência|Do R7

O diabetes tipo 2 é conhecido principalmente por afetar os níveis de açúcar no sangue, mas novas evidências mostram que seus efeitos vão muito além do metabolismo da glicose. Um estudo recente indica que a doença pode acelerar o desgaste muscular, contribuindo para perda de força, redução da mobilidade e queda na qualidade de vida ao longo do tempo.
A pesquisa foi publicada na revista científica Science Advances, no estudo “A regulação negativa do lncRNA TMEM9B-AS1 específico para humanos no músculo esquelético de pessoas com diabetes tipo 2 afeta a biogênese ribossômica”, tendo como autora principal Ilke Sen.
Por que o músculo sofre no diabetes tipo 2
O músculo esquelético depende de um equilíbrio constante entre produção e degradação de proteínas para se manter forte e funcional. No entanto, em pessoas com diabetes tipo 2, esse equilíbrio pode ser rompido.
Os pesquisadores identificaram que uma molécula chamada TMEM9B-AS1, pertencente à classe dos RNAs não codificantes longos, aparece em níveis significativamente menores nos músculos de indivíduos com a doença. Embora não produza proteínas, essa molécula exerce um papel regulador essencial dentro das células musculares.
Quando a produção de proteínas perde eficiência

A redução do TMEM9B-AS1 afeta diretamente a estabilidade do gene MYC, responsável por estimular a formação de ribossomos, estruturas celulares encarregadas da fabricação de proteínas.
Quando esse sistema falha, ocorre uma cadeia de eventos que favorece o desgaste muscular:
Esse mecanismo ajuda a explicar por que o diabetes tipo 2 está frequentemente associado à sarcopenia, condição marcada pela perda gradual de músculo.
Impactos que vão além da força física
O desgaste muscular não afeta apenas o desempenho físico. Ele está ligado a maior risco de quedas, limitações funcionais, piora da sensibilidade à insulina e redução da autonomia, especialmente com o avanço da idade.
Esses achados reforçam que o diabetes tipo 2 deve ser encarado como uma doença sistêmica, capaz de alterar profundamente a saúde muscular ao longo do tempo.
O que a descoberta muda no cuidado com o diabetes
A identificação desse mecanismo molecular abre caminho para novas estratégias terapêuticas, voltadas à proteção da musculatura em pessoas com diabetes tipo 2. No futuro, intervenções direcionadas a esses processos celulares podem ajudar a retardar o desgaste muscular e preservar a funcionalidade.
Enquanto isso, os resultados reforçam a importância de uma abordagem ampla no tratamento do diabetes, que considere não apenas o controle glicêmico, mas também a manutenção da saúde muscular.















