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Diagnóstico de Ana Castela levanta dúvida: TDA ou TDAH afinal?

Cantora revelou diagnóstico e reacendeu debate sobre a sigla TDA

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Ana Castela revela diagnóstico e levanta debate sobre TDA. (Foto: Reprodução / Instagram) Fala Ciência

A cantora Ana Castela revelou ter sido diagnosticada com TDA (Transtorno de Déficit de Atenção). A declaração rapidamente gerou questionamentos, principalmente porque essa sigla já não é mais utilizada oficialmente na medicina.

Hoje, o diagnóstico correto é TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Ainda assim, o termo antigo continua popular, o que acaba gerando confusão.


A ciência explica por que o termo TDA caiu em desuso

De acordo com artigo publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry em 2023, o TDAH é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, desorganização e hiperatividade-impulsividade.


Esse entendimento levou a uma mudança importante: a medicina deixou de separar os quadros e passou a considerar tudo dentro de um único diagnóstico.

Ou seja, o que antes era chamado de TDA não desapareceu, mas foi incorporado como uma das formas de apresentação do TDAH.


O que significa ter “TDA” hoje

Na prática, quando alguém diz que tem TDA, geralmente está se referindo ao TDAH com predominância de desatenção.


Esse perfil apresenta sintomas mais discretos, como:

  • Dificuldade em manter o foco
  • Esquecimentos frequentes
  • Desorganização
  • Procrastinação
  • Dificuldade em concluir tarefas

Segundo a literatura científica, esses sinais fazem parte do mesmo transtorno, variando apenas na forma como se manifestam.

Por que muitos casos passam despercebidos?

TDA hoje é classificado como TDAH desatento. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Um dos pontos mais relevantes é que o TDAH não se apresenta da mesma maneira em todas as pessoas.

Enquanto alguns indivíduos têm sintomas mais visíveis, como hiperatividade, outros apresentam apenas dificuldades relacionadas à atenção. Isso pode fazer com que o quadro:

  • Passe despercebido na infância
  • Seja confundido com distração comum
  • Só seja identificado na vida adulta

Além disso, o estudo destaca que o transtorno está ligado ao desenvolvimento do cérebro, o que reforça sua natureza contínua ao longo da vida.

Impactos reais vão além da distração

Apesar de parecer leve, o TDAH com predominância de desatenção pode afetar diversas áreas da vida.

Entre os impactos mais comuns estão:

  • Dificuldade em organizar tarefas
  • Baixo rendimento em atividades longas
  • Sobrecarga mental
  • Problemas com prazos e produtividade

Essas dificuldades estão diretamente relacionadas à incapacidade de manter atenção sustentada e organização, aspectos centrais do transtorno.

Diagnóstico e tratamento seguem critérios bem definidos

O diagnóstico do TDAH é clínico e considera padrões persistentes de comportamento que impactam o funcionamento diário.

O tratamento pode envolver:

  • Psicoeducação
  • Psicoterapia
  • Estratégias de organização
  • Treinamento de habilidades cognitivas
  • Medicação, quando necessária

A abordagem varia conforme a intensidade dos sintomas e as necessidades de cada pessoa.

O que o caso de Ana Castela ajuda a esclarecer

O relato de Ana Castela evidencia um ponto importante: o termo TDA ainda é usado no cotidiano, mas não representa mais um diagnóstico oficial.

Hoje, a ciência entende que todas essas manifestações fazem parte do TDAH, um transtorno único com diferentes apresentações.Compreender essa evolução é essencial para evitar desinformação e garantir diagnóstico correto, tratamento adequado e mais qualidade de vida.


Autora: Rafaela Lucena – Farmacêutica (CRF-RJ: 13912).
Especialista em saúde e divulgadora científica.

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