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Dieta cetogênica pode ajudar a controlar crises epilépticas

Descoberta mostra como a alimentação baixa em carboidratos pode reduzir convulsões

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Dieta cetogênica ajuda a reduzir crises epilépticas graves. (Foto: Dolgikh via Canva) Fala Ciência

Muitas pessoas com epilepsia resistente a medicamentos enfrentam um dilema: controlar convulsões graves exige remédios fortes ou mudanças radicais na alimentação. Entre essas alternativas, a dieta cetogênica, rica em gorduras e quase sem carboidratos, tem se destacado há quase um século. Mas até hoje, poucos entendiam como ela realmente protege o cérebro.

A dieta funciona ao induzir o corpo a produzir moléculas chamadas cetonas, usadas como combustível pelas células quando os carboidratos estão escassos. Uma dessas cetonas, o β-hidroxibutirato, mostrou ser especialmente poderosa. 


Pesquisadores da Universidade da Virgínia descobriram que ela interage com um receptor cerebral chamado HCAR2, capaz de acalmar os neurônios hiperativos que provocam convulsões.

Como o cérebro se beneficia da dieta


Os neurônios funcionam como fios elétricos do cérebro. Quando ficam excitáveis demais, podem disparar sinais desordenados, desencadeando crises epilépticas. Ao ativar o HCAR2, o β-hidroxibutirato ajuda a regular essa atividade elétrica, reduzindo a frequência e intensidade das convulsões. 

Além disso, o receptor também está presente em células imunológicas do cérebro, chamadas microglia, que auxiliam na defesa cerebral e podem contribuir para a saúde geral do sistema nervoso.


Essa descoberta explica por que a dieta cetogênica, mesmo tão restritiva, produz resultados clínicos positivos há décadas. Mais importante, abre caminho para medicamentos que reproduzam seus efeitos, sem a necessidade de eliminar quase todos os carboidratos da alimentação, evitando desconfortos como náuseas, constipação e fadiga.

Potencial para outras doenças do cérebro


Cetonas acalmam neurônios hiperativos. (Foto: TrueCreatives via Canva) Fala Ciência

Os neurônios hiperativos não aparecem apenas na epilepsia. Estágios iniciais de doenças como Alzheimer e Parkinson também apresentam essa característica. Isso significa que estratégias que modulam o HCAR2 podem oferecer proteção adicional contra distúrbios neurodegenerativos, mantendo o cérebro mais equilibrado e resistente a crises elétricas ou inflamatórias. 

Estudos iniciais sugerem que medicamentos como a niacina, vitamina B3 aprovada pelo FDA, podem ativar o mesmo receptor e fornecer benefícios similares, embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar os efeitos em humanos.

Um passo rumo a terapias mais acessíveis

Mapear como o β-hidroxibutirato atua no cérebro permite desenvolver tratamentos inovadores para epilepsia resistente a medicamentos, e possivelmente para outras doenças neurológicas. Ao entender a interação entre cetonas e HCAR2, cientistas vislumbram alternativas que podem ser menos invasivas e mais toleráveis, mantendo os efeitos protetores do cérebro sem dietas extremas.

Essa pesquisa foi publicada no periódico Annals of Neurology em 2026, com DOI 10.1002/ana.78098, conduzida por Jaideep Kapur e equipe da Universidade da Virgínia.

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