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Dormir mal pode ser um sinal silencioso de diabetes

Distúrbios do descanso noturno surgem como peça-chave no controle metabólico

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Fala Ciência|Do R7

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Diabetes e glicose desregulada afetam o sono noturno. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Dormir bem é um dos pilares mais subestimados da saúde metabólica. Evidências recentes indicam que, no caso do diabetes, o impacto vai muito além do cansaço ocasional: a condição está associada a sono mais curto, fragmentado e menos restaurador, com efeitos diretos sobre o controle glicêmico e o risco cardiovascular.

Essa relação foi analisada em profundidade no estudo “Estado glicêmico e ingestão de macronutrientes como preditores de resultados do sono: uma análise dos dados do NHANES 2007–2020” (DOI: doi.org/10.3389/fnut.2025.1672631), publicado em outubro de 2025 na revista Frontiers in Nutrition, na seção de Nutrição Clínica.


A pesquisa utilizou dados de um dos maiores levantamentos populacionais dos Estados Unidos, avaliando mais de 66 mil adultos ao longo de múltiplos ciclos do NHANES, entre 2007 e 2020.

Diabetes e pré-diabetes estão ligados a pior qualidade do sono


Os resultados indicam que indivíduos com diabetes apresentaram maior prevalência de sono curto, distúrbios do sono diagnosticados e queixas frequentes de dificuldade para iniciar ou manter o sono. Pessoas com pré-diabetes também exibiram alterações relevantes, ainda que menos intensas.

Segundo a autora principal, Raedeh Basiri, em colaboração com pesquisadores como Megan Kassem e Cara L. Frankenfeld, o metabolismo da glicose exerce influência direta sobre os mecanismos fisiológicos que regulam o ciclo sono–vigília. Oscilações glicêmicas noturnas, inflamação crônica e resistência à insulina parecem interferir na arquitetura do sono, reduzindo o tempo em fases profundas e reparadoras.


Macronutrientes ajudam a prever quem dorme pior

Um dos achados centrais do estudo foi a identificação da dieta como um fator preditor independente da qualidade do sono, mesmo após ajustes para idade, sexo, índice de massa corporal e nível de atividade física.


Dietas com baixa ingestão de proteínas foram associadas a maior risco de sono curto, especialmente entre pessoas com diabetes. Já padrões alimentares com melhor equilíbrio entre os macronutrientes estiveram ligados a duração do sono mais adequada.

Entre os principais pontos observados estão:

  • Ingestão insuficiente de proteínas associada a pior duração do sono
  • Carboidratos refinados ligados a maior risco de distúrbios do descanso
  • Carboidratos complexos associados a padrões de sono mais estáveis

Esses resultados sugerem que a alimentação influencia não apenas o controle glicêmico ao longo do dia, mas também a estabilidade metabólica durante a noite.

Sono ruim também pode acelerar o diabetes

A análise reforça que a relação entre sono e diabetes é bidirecional. Dormir menos de sete horas por noite esteve associado a maior resistência à insulina, alterações hormonais relacionadas ao apetite e maior risco de progressão do pré-diabetes para o diabetes tipo 2.

Curiosamente, o sono excessivo, acima de nove horas, também foi mais frequente entre indivíduos com diabetes, podendo refletir inflamação sistêmica, fadiga metabólica ou controle glicêmico inadequado.

Controle glicêmico intenso nem sempre melhora o sono

Outro achado relevante foi que pessoas com controle glicêmico mais rigoroso relataram mais dificuldades relacionadas ao sono. Os autores sugerem que o medo de hipoglicemias noturnas, o uso de múltiplos medicamentos e a vigilância constante da glicose podem contribuir para um descanso menos eficiente.

Ao mostrar que o estado glicêmico e a ingestão de macronutrientes ajudam a prever os desfechos do sono, o estudo amplia a compreensão do diabetes como uma condição sistêmica e reforça que dormir bem também faz parte do tratamento.

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