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Drones infravermelhos detectam focas presas em lixo marinho com precisão

Tecnologia com sensores térmicos permite detectar focas presas em redes e lixo marinho com mais rapidez

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Drones térmicos ajudam a encontrar focas presas em redes no oceano (Imagem: Pexels) Fala Ciência

O lixo marinho tornou-se uma das maiores ameaças à vida nos oceanos. Redes de pesca abandonadas, linhas e outros resíduos podem prender animais marinhos, causando ferimentos graves e até morte. Agora, uma nova tecnologia baseada em drones com sensores térmicos está ajudando cientistas a localizar esses casos com mais rapidez e potencialmente salvar muitas vidas.

Um estudo publicado na revista Marine Pollution Bulletin, conduzido por pesquisadores da Universidade Monash, investigou uma abordagem inovadora para detectar lobos-marinhos australianos presos em detritos marinhos. A técnica combina câmeras tradicionais com imagem térmica infravermelha, permitindo identificar sinais de emaranhamento mesmo à distância.


Os testes foram realizados em Seal Rocks, próximo à Ilha Phillip, na Austrália, considerada a maior colônia reprodutiva dessa espécie no mundo. A região apresenta um histórico significativo de animais presos em linhas de pesca e outros resíduos oceânicos. Entre as principais vantagens da nova tecnologia estão:

  • Detecção mais rápida de focas em risco;
  • Menor perturbação das colônias animais;
  • Identificação de materiais finos ou transparentes, como linhas de pesca;
  • Monitoramento de ferimentos em animais marinhos.


Essa combinação torna os drones uma ferramenta promissora para a conservação da fauna marinha.

Como a imagem térmica revela focas presas em lixo marinho


A inovação está no uso combinado de duas tecnologias de imagem: câmeras RGB, responsáveis por registrar imagens coloridas tradicionais, e sensores térmicos infravermelhos (TIR), capazes de identificar variações de temperatura. Quando um lobo-marinho fica preso em uma rede ou linha de pesca, ocorre um aumento localizado de calor na região afetada do corpo. Esse calor adicional aparece nas imagens térmicas como uma anomalia claramente detectável.

Durante o estudo, foram realizados 54 levantamentos com drones, e os resultados mostraram que cerca de 81% dos casos de emaranhamento apresentavam uma assinatura térmica visível. Além disso, a análise das imagens revelou uma alta concordância entre avaliadores humanos na identificação dos animais afetados. Outro ponto importante é que os drones podem operar a mais de 50 metros de altitude, o que permite monitorar as colônias de forma eficiente enquanto reduz o estresse causado pela presença humana direta nos animais.


Uma ferramenta poderosa para proteger a vida marinha

Comparação térmica mostra focas livres e presas em linhas de pesca (Imagem: Adam Yaney-Keller et al./ Marine Pollution Bulletin 2026/ CC BY-SA 4.0) Fala Ciência

O uso de drones revelou outro resultado interessante: ferimentos em animais também podem ser detectados por meio das imagens térmicas. Lesões causadas por predadores, como mordidas de tubarão, apresentam padrões de temperatura distintos que aparecem nas análises.

Essa capacidade abre novas possibilidades para monitoramento de saúde de populações marinhas, permitindo avaliar não apenas o impacto do lixo oceânico, mas também outros fatores ambientais que afetam os animais.

Além disso, os lobos-marinhos funcionam como espécies indicadoras, pois passam parte do tempo no mar e parte em terra. Dessa forma, o nível de emaranhamento observado nessas colônias pode refletir a dimensão do problema em todo o ecossistema marinho.

Tecnologia que pode transformar a conservação dos oceanos

Após os testes bem-sucedidos na Austrália, pesquisadores começaram a aplicar a mesma metodologia em outras regiões do planeta. Experimentos realizados na Cidade do Cabo, na África do Sul, também mostraram resultados promissores em lobos-marinhos-do-cabo.

Com o avanço dessa tecnologia, cientistas esperam ampliar programas de monitoramento aéreo de vida marinha, permitindo intervenções mais rápidas quando animais ficam presos em detritos. À medida que a poluição marinha continua crescendo, ferramentas inovadoras como os drones térmicos podem se tornar essenciais para entender a dimensão do problema e desenvolver estratégias mais eficazes de proteção da biodiversidade oceânica.

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