Estudo brasileiro sugere como transformar luz difusa em energia útil
Modelo teórico indica que fótons podem se organizar como motores térmicos microscópicos
Fala Ciência|Do R7

Transformar luz em energia útil é um dos grandes desafios da ciência moderna. Embora tecnologias como painéis solares já explorem essa conversão, uma parcela significativa da energia luminosa ainda se perde como calor. Agora, um novo estudo teórico liderado pela pesquisadora brasileira Luísa Toledo Tude, da Trinity College Dublin, sugere um caminho promissor para aumentar a eficiência energética da luz, inclusive a proveniente de fontes difusas.
A proposta parte de um conceito pouco intuitivo: em determinadas condições, a luz pode se comportar como um fluido coletivo, deixando de agir como partículas independentes. Esse comportamento abre novas possibilidades para extrair trabalho útil diretamente da radiação luminosa, algo que, até então, parecia restrito a sistemas altamente controlados, como lasers. Para entender a relevância da ideia, alguns pontos são essenciais:
A chamada “luz líquida”
Quando aprisionados em cavidades microscópicas preenchidas com corantes, os fótons passam por um processo conhecido como condensação, no qual se comportam coletivamente. Esse estado, comparável a um condensado de Bose-Einstein, cria um sistema híbrido de luz e matéria, popularmente descrito como “luz líquida”.

Até recentemente, esse fenômeno exigia fontes intensas e altamente organizadas de energia. No entanto, a nova análise teórica indica que a energia difusa também pode alimentar esse tipo de condensação. Isso representa um avanço significativo, pois amplia o leque de aplicações práticas, especialmente no campo das energias renováveis.
Fótons como motores térmicos
Ao modelar o comportamento dos fótons confinados, os pesquisadores observaram que eles seguem princípios semelhantes aos dos motores de calor, responsáveis por converter energia térmica em trabalho. Nesse contexto, a condensação dos fótons funciona como um mecanismo que direciona o fluxo de energia, reduzindo perdas e aumentando a fração realmente aproveitável.
A energia “útil” gerada se manifesta como luz coerente, uma forma altamente organizada e mais fácil de converter em eletricidade ou movimento. Em aplicações futuras, esse tipo de dispositivo poderia atuar em conjunto com células solares, motores microscópicos e sistemas ópticos avançados.
Por enquanto, a proposta permanece no campo teórico, com testes experimentais ainda por vir. Mesmo assim, o estudo reforça uma tendência clara da ciência contemporânea: entender e controlar a energia em escala quântica para torná-la mais eficiente e sustentável.
Se confirmada em laboratório, essa abordagem pode representar um salto na forma como captamos, concentramos e reutilizamos a energia luminosa no dia a dia.














