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Estudo investiga Viagra, vacina contra herpes e medicamento contra ELA na prevenção do Alzheimer

Estudo internacional identifica três medicamentos promissores já aprovados

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Fala Ciência|Do R7

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Pesquisa analisa alternativas ao Alzheimer. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A busca por tratamentos eficazes contra a doença de Alzheimer pode estar mais próxima do que se imaginava. Em vez de desenvolver moléculas inéditas, pesquisadores estão analisando medicamentos já disponíveis no mercado. Essa estratégia, conhecida como reposicionamento de fármacos, pode acelerar a chegada de novas terapias para uma condição que ainda não tem cura.

Um estudo publicado em 2025 na revista Alzheimer’s Research and Therapy, intitulado Reposicionamento de medicamentos para a doença de Alzheimer: um consenso Delphi e consulta às partes interessadas, liderado por Anne Corbett (DOI: 10.1186/s13195-025-01895-4), avaliou sistematicamente 80 medicamentos existentes. O objetivo foi identificar quais apresentam maior potencial para tratar ou prevenir o Alzheimer.


Após múltiplas etapas de análise por especialistas internacionais, três medicamentos foram classificados como prioritários: vacina contra herpes-zóster (Zostavax), sildenafil (Viagra) e riluzol (medicamento usado no tratamento da esclerose lateral amiotrófica – ELA).

Por que reaproveitar medicamentos faz sentido?


O desenvolvimento de um novo medicamento pode levar mais de uma década e exigir investimentos bilionários. Além disso, muitos candidatos fracassam nas fases finais de testes clínicos. Por outro lado, medicamentos já aprovados possuem perfil de segurança conhecido, especialmente em idosos, público mais afetado pela demência.

Diante do impacto crescente da demência, responsável por mais da metade dos diagnósticos relacionados ao Alzheimer, estratégias mais rápidas e economicamente viáveis tornam-se urgentes.


Os três candidatos que chamaram atenção

A seleção final levou em conta evidências biológicas, resultados em modelos experimentais e segurança clínica.


Vacina contra herpes-zóster

A Zostavax apresentou o sinal mais consistente. Estudos anteriores sugerem associação entre infecções virais e maior risco de demência. Como o sistema imunológico desempenha papel central na progressão do Alzheimer, a vacina pode exercer efeito protetor ao modular respostas inflamatórias.

Dados observacionais indicam que pessoas vacinadas tiveram aproximadamente 16% menos risco de desenvolver demência. Além disso, o esquema vacinal exige no máximo duas doses, o que facilita a implementação.

Sildenafil

O sildenafil, amplamente conhecido como Viagra, demonstrou potencial neuroprotetor em estudos pré-clínicos. Pesquisas em animais apontaram:

  • Redução do acúmulo de proteína tau, marcador importante do Alzheimer
  • Melhora da memória e do raciocínio
  • Aumento do fluxo sanguíneo cerebral

Esses efeitos sugerem possível impacto na preservação das funções cognitivas.

Riluzol

Utilizado na doença do neurônio motor, o riluzol também apresentou resultados promissores em modelos animais. Ele mostrou capacidade de melhorar desempenho cognitivo e reduzir níveis de tau, indicando potencial efeito sobre processos neurodegenerativos.

Próximo passo

Embora os achados sejam animadores, é fundamental reforçar que esses medicamentos ainda não são tratamentos comprovados para Alzheimer. A pesquisa atual representa uma etapa de priorização baseada em evidências existentes. Ensaios clínicos controlados serão essenciais para confirmar eficácia e segurança nesse novo contexto.

Entre os três candidatos, a vacina contra herpes-zóster desponta como a mais promissora para testes clínicos em larga escala. Caso os resultados se confirmem, o impacto poderá ser significativo na prevenção da doença.

O reposicionamento de medicamentos já transformou outras áreas da medicina ao longo da história. Agora, essa estratégia pode representar uma das abordagens mais pragmáticas na luta contra o Alzheimer, combinando ciência, inovação e agilidade regulatória.

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