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Estudo liga refrigerantes e bebidas doces ao aumento da ansiedade em adolescentes

Evidências científicas conectam bebidas adoçadas à saúde mental juvenil

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Fala Ciência|Do R7

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Açúcar líquido pode influenciar emoções na adolescência. (Foto: Gaby Campo's Images via Canva) Fala Ciência

O aumento dos casos de ansiedade entre adolescentes tem levado pesquisadores a investigar fatores que vão além das pressões sociais e do uso excessivo de telas. Entre esses fatores, a alimentação começa a ganhar destaque, especialmente o consumo frequente de bebidas açucaradas, um hábito comum nessa faixa etária e muitas vezes subestimado.

Uma análise científica recente chamou atenção ao reunir dados de diferentes populações jovens e observar um padrão consistente. O trabalho foi liderado por Karim Khaled, pesquisador com atuação em nutrição e saúde pública, e publicado em 10 de fevereiro de 2026.


Dieta impacta o cérebro, não apenas o corpo

Grande parte das políticas nutricionais voltadas aos jovens ainda prioriza consequências físicas, como obesidade e diabetes tipo 2. No entanto, uma revisão publicada no Journal of Human Nutrition and Dietetics reforça que os efeitos da alimentação ultrapassam o metabolismo e alcançam diretamente o funcionamento cerebral.


O estudo, intitulado Consumo de bebidas adoçadas com açúcar e transtornos de ansiedade em adolescentes (DOI: 10.1111/jhn.70217), analisou resultados de pesquisas observacionais que avaliaram tanto o consumo alimentar quanto indicadores de saúde mental. O foco esteve em bebidas com alto teor de açúcar e baixo valor nutricional, amplamente consumidas no dia a dia.

Quais bebidas entram nesse alerta científico?


Os dados reunidos consideraram diferentes tipos de bebidas adoçadas, incluindo:

  • Refrigerantes
  • Bebidas energéticas
  • Sucos industrializados
  • Chás e cafés adoçados
  • Leites aromatizados
  • Refrescos concentrados


Em todos os cenários analisados, adolescentes que consumiam essas bebidas com maior frequência relataram mais sintomas de ansiedade, independentemente do país ou do contexto social avaliado.

O que os dados realmente permitem concluir

Embora a associação seja consistente, os próprios pesquisadores deixam claro que não se trata de uma relação causal direta. Como os estudos avaliados são observacionais, não é possível afirmar que o açúcar seja o gatilho da ansiedade.

Ainda assim, a repetição do achado levanta hipóteses importantes. Alterações rápidas na glicemia, impacto sobre neurotransmissores e até interferências no sono são mecanismos biológicos plausíveis que ajudam a explicar essa conexão entre açúcar líquido e regulação emocional.

Além disso, fatores como privação de sono, estresse crônico e ambiente familiar podem atuar tanto no aumento do consumo de bebidas adoçadas quanto no agravamento dos sintomas ansiosos.

Por que esse achado merece atenção?

A adolescência é um período crítico de desenvolvimento cerebral. Identificar hábitos potencialmente modificáveis, como o consumo excessivo de bebidas açucaradas, pode ser uma estratégia relevante para reduzir riscos à saúde mental no longo prazo.

Em vez de focar em alimentos específicos, os dados científicos reforçam a necessidade de uma educação nutricional conectada à saúde emocional e ao impacto das escolhas cotidianas no cérebro em formação.

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