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Exame de sangue pode revelar Parkinson décadas antes dos sintomas

Novo estudo identifica sinais biológicos silenciosos da doença no sangue

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Fala Ciência|Do R7

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Sinais do Parkinson aparecem no sangue antes dos sintomas. (Foto: Nenov brothers e Pixelshot via Canva) Fala Ciência

A doença de Parkinson costuma ser diagnosticada apenas quando os sintomas motores já estão evidentes. No entanto, nesse estágio, grande parte das células cerebrais responsáveis pelo controle dos movimentos já foi comprometida. No entanto, uma nova pesquisa indica que um simples exame de sangue pode detectar a doença anos, ou até décadas, antes desse ponto crítico.

O achado surge de um estudo publicado em 2025 na revista científica npj Parkinson’s Disease, intitulado “Avaliação longitudinal da trajetória da assinatura de reparo do DNA na doença de Parkinson prodrômica versus estabelecida”, liderado por Danish Anwer, com DOI (10.1038/s41531-025-01194-7).


Uma longa fase silenciosa da doença

O Parkinson não surge de forma repentina. Antes dos tremores e da rigidez muscular, existe uma fase inicial prolongada, chamada de prodrômica, que pode durar até 20 anos. Durante esse período, o cérebro ainda não apresenta danos extensos, mas alterações celulares sutis já estão em andamento.


Essas mudanças não costumam ser detectadas por exames tradicionais, o que torna o diagnóstico precoce um grande desafio na neurologia.

O que o sangue revela sobre o Parkinson inicial


O estudo identificou marcadores biológicos específicos no sangue ligados a dois processos essenciais:

  • Reparo do DNA, responsável por corrigir danos genéticos nas células
  • Resposta ao estresse celular, mecanismo de defesa ativado em situações de desequilíbrio


Esses sinais formam uma assinatura biológica temporária, presente apenas no início da doença. Curiosamente, ela desaparece quando o Parkinson já está em estágios mais avançados, o que explica por que a detecção precoce sempre foi tão difícil.

Inteligência artificial ajuda a identificar padrões ocultos

Para detectar essa assinatura invisível, os pesquisadores utilizaram aprendizado de máquina, capaz de reconhecer padrões complexos em grandes volumes de dados genéticos.

O resultado foi claro:

  • O padrão apareceu exclusivamente em pessoas na fase inicial do Parkinson
  • Não foi observado em indivíduos saudáveis
  • Também não surgiu em pacientes com sintomas motores já estabelecidos

Isso reforça a ideia de uma janela crítica de oportunidade para diagnóstico precoce.

Por que um exame de sangue muda tudo?

Atualmente, métodos de investigação precoce do Parkinson incluem exames de imagem e análises do líquido cefalorraquidiano, que são caros, invasivos e pouco acessíveis.

Já um teste sanguíneo oferece vantagens importantes:

  • Método simples e de baixo custo
  • Possibilidade de triagem em larga escala
  • Maior chance de intervenção antes do dano cerebral irreversível

Os pesquisadores estimam que esses exames possam começar a ser testados em sistemas de saúde dentro de cinco anos.

Impacto futuro no tratamento da doença

Além do diagnóstico, a descoberta pode influenciar diretamente o desenvolvimento de novas terapias. Ao compreender os mecanismos iniciais do Parkinson, torna-se possível:

  • Criar medicamentos que retardem a progressão da doença
  • Reaproveitar fármacos já existentes para outros alvos biológicos
  • Intervir antes que os neurônios sejam perdidos

O estudo reforça que o Parkinson começa muito antes dos sintomas visíveis e que o sangue pode guardar pistas valiosas desse processo silencioso. Detectar a doença nesse estágio inicial pode transformar completamente a forma como ela é tratada, oferecendo mais qualidade de vida e tempo aos pacientes.

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