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Experimento subterrâneo cria 8 mil terremotos artificiais em laboratório gigante nos Alpes

Experimento subterrâneo na Suíça induziu milhares de pequenos tremores para estudar falhas geológicas

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Cientistas criam milhares de terremotos artificiais em laboratório subterrâneo nos Alpes Suíços. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Pesquisadores realizaram um experimento incomum nas profundezas dos Alpes Suíços: provocar milhares de pequenos terremotos de maneira controlada para entender melhor o funcionamento das falhas geológicas. A iniciativa aconteceu em um laboratório subterrâneo instalado no interior de um túnel ferroviário e já é considerada uma das pesquisas sísmicas mais avançadas da Europa.

O estudo foi conduzido no BedrettoLab, estrutura científica localizada abaixo das montanhas suíças, onde cientistas conseguem acompanhar em detalhes os movimentos das rochas em grandes profundidades. O projeto busca revelar como os terremotos se formam, além de contribuir para tecnologias de monitoramento sísmico e exploração de energia geotérmica. Entre os principais objetivos da pesquisa estão:


  • Analisar o comportamento das falhas geológicas;
  • Monitorar tremores induzidos artificialmente;
  • Estudar os efeitos da pressão em rochas profundas;
  • Melhorar modelos de previsão sísmica.

Laboratório nos Alpes funciona como centro de simulação sísmica


Ao contrário das pesquisas convencionais, que dependem da ocorrência natural de terremotos, o laboratório suíço permite criar pequenos eventos sísmicos sob condições controladas. Para isso, os pesquisadores perfuraram a rocha e instalaram sensores de alta precisão ao redor de uma falha geológica previamente selecionada.

Experimento secreto na Suíça faz montanhas tremerem para estudar falhas geológicas profundas. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Na sequência, centenas de metros cúbicos de água foram injetados nas fissuras subterrâneas. Esse processo aumentou a pressão interna das rochas, favorecendo deslocamentos ao longo das falhas e desencadeando milhares de microtremores.


Os cientistas pretendiam alcançar um terremoto de magnitude 1, mas os eventos registrados ficaram um pouco abaixo da meta. Mesmo assim, os resultados foram considerados extremamente positivos devido à quantidade de dados coletados e à profundidade em que os testes ocorreram.

Tremores revelaram dinâmica inesperada no interior da montanha


Os sensores detectaram aproximadamente 8 mil eventos sísmicos, muitos deles ocorrendo não apenas na falha principal, mas também em estruturas secundárias conectadas ao sistema rochoso. A descoberta mostrou que o comportamento subterrâneo pode ser mais complexo do que os modelos previam.

As magnitudes observadas variaram entre valores muito baixos, chegando a números negativos na escala sísmica. Ainda assim, alguns tremores produziram acelerações intensas nas proximidades da falha monitorada.

Além disso, os pesquisadores conseguiram observar como fluidos subterrâneos influenciam diretamente o movimento das rochas em profundidade. Esse tipo de informação é considerado essencial para compreender terremotos naturais e reduzir riscos em projetos geotérmicos.

Próxima etapa pode gerar tremores ainda maiores

Os testes devem continuar nos próximos meses, com ajustes nos sistemas de injeção e nos parâmetros do experimento. A expectativa é produzir terremotos controlados mais intensos e ampliar a compreensão sobre os mecanismos que desencadeiam abalos sísmicos.

Com os novos dados, o BedrettoLab pode se transformar em uma referência internacional no estudo da atividade sísmica profunda, ajudando cientistas a entender melhor os fenômenos que moldam o interior do planeta.

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