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Fósseis em calçadas surpreendem e revelam antigo deserto em cidade mineira

Vestígios de um antigo deserto transformam espaços urbanos em verdadeiros museus a céu aberto

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Pegadas pré-históricas aparecem em ruas de cidade mineira (Imagem: A professora Drª Melina M. Souza) Fala Ciência

O que antes passava despercebido por moradores e turistas agora ganha destaque científico: calçadas e muretas podem esconder fósseis com mais de 100 milhões de anos. Uma pesquisa recente revelou a presença de icnofósseis, marcas deixadas por organismos antigos, em espaços urbanos de Poços de Caldas (MG), transformando áreas comuns em verdadeiros registros da pré-história.

A descoberta chama atenção não apenas pela raridade, mas também pelo fato de esses vestígios estarem integrados ao cotidiano da população, acessíveis a qualquer pessoa que caminhe pela cidade. Os pesquisadores identificaram:


  • Pegadas fossilizadas e marcas de atividade biológica;
  • Estruturas preservadas em arenito Botucatu;
  • Registros ligados a um antigo ambiente desértico;
  • Ocorrência em locais públicos de fácil acesso.

Rastros de vida em um deserto que já não existe


Os fósseis encontrados pertencem ao chamado paleodeserto Botucatu, que existiu entre o final do Período Jurássico e o início do Cretáceo, há cerca de 130 a 145 milhões de anos. Naquela época, uma vasta região da América do Sul era dominada por condições áridas, formando um dos maiores desertos já registrados.

Diferentemente de ossos ou conchas, os icnofósseis representam evidências indiretas da vida. Em outras palavras, são marcas de comportamento, como pegadas, escavações e trilhas deixadas por organismos que habitaram aquele ambiente.


Esse tipo de registro é especialmente valioso, pois permite reconstruir como esses seres interagiam com o meio, mesmo na ausência de restos corporais.

Como fósseis foram parar em calçadas urbanas


Pegada de ornitópode com formato largo e bordas arredondadas, destacada digitalmente na praça (Imagem: A professora Drª Melina M. Souza) Fala Ciência

Curiosamente, a presença desses fósseis na cidade não está relacionada ao solo local. Isso ocorre porque as rochas utilizadas nos calçamentos foram extraídas de outras regiões ricas em arenito fossilífero.

Assim, ao serem utilizadas como material de construção, essas lajes trouxeram consigo fragmentos de um passado geológico distante. Como resultado, locais como praças e áreas turísticas passaram a abrigar registros científicos de grande relevância.

Ciência, educação e turismo em um só lugar

Além do valor científico, a descoberta amplia as possibilidades de ensino e divulgação da ciência. A criação de um guia para identificação de icnofósseis transforma a cidade em um ambiente de aprendizagem ativa, no qual estudantes podem observar evidências reais da história da Terra. 

Como resultado, há estímulo ao geoturismo urbano, valorização da geodiversidade local, maior aproximação entre ciência e sociedade e incentivo ao ensino prático de geociências. Dessa forma, espaços cotidianos deixam de ser apenas áreas de circulação e passam a funcionar como verdadeiros laboratórios ao ar livre.

Um novo olhar sobre o chão que pisamos

Essa descoberta reforça uma ideia essencial na ciência: o conhecimento pode estar em qualquer lugar, até mesmo sob nossos pés. Ao revelar fósseis em ambientes urbanos, o estudo amplia nossa percepção sobre o mundo e mostra que a história do planeta continua presente no cotidiano.

Mais do que uma curiosidade, trata-se de um convite para observar o ambiente com atenção científica e reconhecer que até uma simples calçada pode guardar segredos de milhões de anos.

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