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Fósseis esquecidos revelam predadores que dominaram oceanos pós-extinção

Fósseis australianos mostram diversidade inesperada após a maior crise biológica do planeta

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Anfíbios marinhos primitivos, Erythrobatrachus e Aphaneramma, cruzam antiga costa australiana há 250 milhões de anos (Imagem: Pollyanna von Knorring / Museu Sueco de História Fala Ciência

Há cerca de 252 milhões de anos, a Terra enfrentou a mais severa crise ambiental já registrada: a extinção em massa do Permiano-Triássico. Estima-se que até 90% das espécies marinhas tenham desaparecido. No entanto, apenas dois milhões de anos depois, os oceanos já eram palco de uma nova geração de predadores. Agora, fósseis redescobertos na Austrália ajudam a entender como essa recuperação foi mais rápida, e mais complexa, do que se imaginava.

O estudo, conduzido por pesquisadores ligados ao Museu Sueco de História Natural e publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, analisou espécimes coletados nas décadas de 1960 e 1970 na região de Kimberley, no noroeste australiano. Esses fósseis ficaram décadas extraviados até serem reencontrados em 2024. Nas primeiras análises modernas, surgiram revelações importantes:


  • Os materiais não pertenciam a uma única espécie;
  • Havia pelo menos dois anfíbios marinhos distintos;
  • Um deles tinha distribuição global surpreendente.

Ecossistemas marinhos se reconstruíam mais rápido do que se pensava


Durante muito tempo, acreditava-se que os mares do início do Triássico eram ecologicamente pobres. Entretanto, a nova investigação mostra que já existia uma comunidade diversa de tetrápodes marinhos, vertebrados com membros adaptados à vida aquática.

Um dos animais identificados foi o Erythrobatrachus noonkanbahensis, um temnospondilo com crânio largo que podia atingir cerca de 40 centímetros apenas na cabeça, indicando um predador robusto. Além disso, os pesquisadores identificaram fósseis do gênero Aphaneramma, caracterizado por um focinho longo e estreito, ideal para capturar presas menores.


Embora coexistissem no mesmo ambiente costeiro, as duas espécies provavelmente ocupavam nichos ecológicos diferentes, o que demonstra uma organização trófica mais sofisticada do que se supunha para o período.

Dispersão global em um planeta em reconstrução


Um dos achados mais impactantes envolve a distribuição geográfica. Enquanto o Erythrobatrachus parece restrito à Austrália, fósseis de Aphaneramma foram encontrados em regiões que hoje incluem o Ártico, o Paquistão e Madagascar.

Esse padrão sugere que alguns dos primeiros tetrápodes marinhos do Mesozoico se espalharam rapidamente pelos oceanos primitivos, possivelmente utilizando as extensas linhas costeiras do supercontinente Pangeia. Em termos evolutivos, isso indica:

  • Alta capacidade de adaptação ambiental;
  • Rápida ocupação de novos habitats;
  • Estruturação precoce de cadeias alimentares marinhas.

Reescrevendo a recuperação pós-extinção

A redescoberta desses fósseis reforça que a recuperação após a maior crise biológica da história não foi lenta e homogênea. Pelo contrário, houve uma explosão adaptativa significativa em um intervalo relativamente curto.

Do ponto de vista científico, esses dados ampliam a compreensão sobre resiliência ecológica, evolução rápida e reorganização de ecossistemas após eventos extremos, temas altamente relevantes diante das mudanças climáticas atuais.

A análise detalhada, assinada por Benjamin P. Kear e colaboradores, demonstra como coleções históricas podem transformar completamente o entendimento da história da vida na Terra.

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