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Fóssil raro de dinossauro de 125 milhões de anos revela pele e espinhos nunca vistos

Fóssil chinês revela estruturas cutâneas inéditas e amplia a diversidade conhecida dos dinossauros

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Fóssil raro mostra dinossauro com pele e espinhos ocos (Imagem: Institute of Natural Sciences/Fabio Manucci/Divulgação) Fala Ciência

Um dinossauro herbívoro juvenil, datado de cerca de 125 milhões de anos, foi identificado na China com um tipo de revestimento corporal que nunca havia sido registrado: espinhos ocos originados diretamente da pele. Além do esqueleto bem preservado, o que realmente chama atenção é a conservação extraordinária dos tecidos moles, permitindo observar estruturas microscópicas após mais de um século de milhões de anos.

A descoberta foi conduzida por pesquisadores do CNRS e colaboradores internacionais, e amplia de forma significativa nosso entendimento sobre a anatomia externa dos dinossauros. Até agora, a maioria das evidências se limitava a escamas, penas ou placas ósseas. Este fóssil, porém, indica que a diversidade de revestimentos corporais era muito mais complexa do que se imaginava. Principais destaques da descoberta:


  • Preservação de células individuais da pele em nível microscópico;
  • Presença de espinhos cutâneos ocos, diferentes de chifres ou estruturas ósseas;
  • Espécime pertencente a um grupo clássico de herbívoros: os iguanodontianos.

Uma inovação morfológica fora do esqueleto


Ao analisar o fóssil com tomografia por raios X e técnicas histológicas, os cientistas identificaram que os espinhos não eram extensões do esqueleto. Em vez disso, tratavam-se de estruturas cutâneas ocas, formadas a partir da própria pele. Esse detalhe é crucial, pois representa um tipo totalmente novo de adaptação morfológica entre os dinossauros.

A espécie foi batizada de Haolong dongi, e viveu durante o Cretáceo Inferior, período marcado por ecossistemas complexos e alta pressão de predação. Portanto, é plausível que esses espinhos funcionassem como mecanismo de defesa, dificultando ataques de pequenos carnívoros.


Como os espinhos podem ter ajudado na sobrevivência?

Apesar do papel defensivo ser o mais intuitivo, os pesquisadores levantam hipóteses adicionais. Estruturas que aumentam a área de superfície corporal podem estar associadas à termorregulação, auxiliando no controle da temperatura. Além disso, existe a possibilidade de que os espinhos tivessem função sensorial, ajudando o animal a perceber estímulos do ambiente.


Como o fóssil pertence a um indivíduo jovem, ainda não se sabe se os adultos mantinham esse tipo de revestimento. No entanto, a descoberta já indica que a pele dos dinossauros era biologicamente mais versátil do que os modelos tradicionais sugeriam.

Um novo paradigma para a paleontologia

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Ecology & Evolution e representam um avanço conceitual importante. Pela primeira vez, há evidência direta de espinhos ocos cutâneos em dinossauros, o que obriga a comunidade científica a rever teorias sobre evolução da pele, proteção e adaptação térmica nesses animais.

Dessa forma, o Haolong dongi não apenas adiciona uma nova espécie ao registro fóssil, mas inaugura uma nova categoria de estruturas biológicas na história evolutiva dos dinossauros, reforçando que ainda conhecemos apenas uma fração da diversidade real desses organismos extintos.

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