Fóssil surpreende ao revelar colágeno preservado após a extinção dos dinossauros
Análises químicas avançadas identificam proteínas antigas em ossos do Cretáceo
Fala Ciência|Do R7

Por décadas, a fossilização foi entendida como um processo que eliminava por completo qualquer vestígio de matéria orgânica. Ossos antigos seriam apenas estruturas minerais, sem ligação química direta com o organismo original.
No entanto, novas evidências científicas indicam que essa visão precisa ser revista. Um estudo recente demonstrou que o colágeno preservado pode permanecer detectável mesmo após a extinção dos dinossauros.
A pesquisa analisou ossos fossilizados de Edmontosaurus, um dos grandes herbívoros que habitaram a Terra no final do período Cretáceo. Os resultados mostram que biomoléculas originais podem sobreviver por milhões de anos sob condições específicas.
O estudo que mudou a interpretação dos fósseis
O trabalho, intitulado “Evidência de colágeno endógeno em osso fóssil de Edmontosaurus”, foi conduzido por Lucien Tuinstra et al. e publicado em 2025 na revista científica Analytical Chemistry. O estudo utilizou métodos químicos de alta precisão para investigar a composição molecular de ossos fósseis atribuídos a esse dinossauro bico-de-pato.
Diferentemente de análises tradicionais, o foco não esteve apenas na estrutura do osso, mas em sua assinatura molecular, buscando indícios inequívocos de proteínas originais preservadas desde antes do evento de extinção em massa.
Como o colágeno antigo foi identificado
Os pesquisadores aplicaram espectrometria de massa avançada, técnica capaz de detectar fragmentos moleculares extremamente degradados. O principal marcador identificado foi a hidroxiprolina, um aminoácido que, nos vertebrados, está diretamente associado ao colágeno ósseo.
Além disso, a análise revelou fragmentos compatíveis com colágeno alfa-1, a forma predominante dessa proteína no tecido ósseo. A combinação desses dados químicos reforça que o material identificado não resulta de contaminação moderna, mas sim de colágeno endógeno degradado, preservado no interior do fóssil.
Por que o Edmontosaurus é tão importante?

O Edmontosaurus viveu nos momentos finais da Era dos Dinossauros, compartilhando o ambiente com espécies como Triceratops e Tyrannosaurus. Seus fósseis são comuns na Formação Hell Creek, uma região geológica associada ao limite entre o Cretáceo e o Paleógeno.
As condições ambientais dessa formação, como soterramento rápido e composição mineral específica, podem ter favorecido a preservação molecular, permitindo que fragmentos de proteínas resistissem ao tempo geológico.
Impactos para a ciência e futuras pesquisas
A identificação de colágeno preservado em fósseis de dinossauros representa um avanço significativo para a paleontologia molecular. Entre as principais implicações do estudo estão:
Além disso, estruturas microscópicas observadas há décadas em ossos fósseis podem agora ser reinterpretadas como potenciais reservatórios de biomoléculas antigas.
Uma nova fronteira no estudo da vida pré-histórica
A confirmação de que o colágeno sobreviveu à extinção dos dinossauros amplia a forma como a ciência acessa o passado profundo da vida na Terra. Mais do que reconstruir esqueletos, os pesquisadores passam a explorar a biologia molecular de organismos extintos.
Esse avanço abre caminho para estudos bioquímicos mais detalhados, capazes de revelar informações inéditas sobre o crescimento, a fisiologia e a evolução dos dinossauros, consolidando uma nova etapa na investigação científica do mundo pré-histórico.















