Gelo negro revela segredos magnéticos e exóticos de Netuno e Urano
Experimentos em laboratório recriam água superiônica, revelando mistérios magnéticos de planetas distantes
Fala Ciência|Do R7

No coração de planetas gigantes como Urano e Netuno, a água assume formas que a ciência terrestre jamais experimenta. Um estado conhecido como água superiônica combina propriedades de sólido e líquido, sendo condutor elétrico, quente e extremamente denso. Pesquisas recentes, publicadas na Nature Communications, conseguiram recriar esse material em laboratório, oferecendo pistas valiosas sobre a formação de campos magnéticos caóticos nesses mundos gelados.
Os experimentos demonstram que a água superiônica não é apenas curiosidade científica; ela pode ser uma das formas de água mais comuns no universo, presente em diversos exoplanetas.
Como o gelo negro foi criado em laboratório

Para simular condições extremas do interior planetário, os cientistas utilizaram bigornas de diamante, aplicando pressões de até 1,8 milhão de atmosferas, e lasers pulsados, elevando a temperatura para cerca de 2.500 Kelvin. Raios X capturaram a posição dos átomos em frações de segundo, revelando uma rede cristalina complexa, com múltiplas estruturas coexistindo.
Essa técnica permitiu observar, pela primeira vez, o comportamento real da água superiônica, oferecendo evidências concretas de como sua estrutura influencia diretamente os campos magnéticos irregulares detectados por sondas espaciais.
Implicações para a ciência planetária e exoplanetas
Além de explicar os mistérios de Urano e Netuno, a descoberta sugere que água superiônica pode ser comum em exoplanetas, mudando nossa visão sobre a química planetária. Ela reforça a ideia de que a água, vital para a vida na Terra, pode assumir configurações radicalmente diferentes dependendo do ambiente.Essa pesquisa abre caminho para compreender não apenas o interior dos gigantes de gelo, mas também a evolução magnética e a potencial habitabilidade de mundos distantes.














