Gelo salgado de Europa, lua de Júpiter, pode levar nutrientes ao oceano e sustentar vida
Pesquisa planetária indica que o gelo superficial de Europa pode afundar e nutrir seu oceano oculto
Fala Ciência|Do R7

Sob uma crosta espessa de gelo, Europa, uma das luas de Júpiter, esconde um oceano global com mais água líquida do que todos os mares da Terra juntos. Esse ambiente extremo, isolado da luz solar, há décadas intriga cientistas que buscam entender se ele pode sustentar vida microscópica. Agora, um novo estudo sugere um caminho físico plausível para que nutrientes essenciais cheguem até esse oceano oculto, fortalecendo a hipótese de habitabilidade fora da Terra.
A pesquisa foi publicada em The Planetary Science Journal, com o título “Dripping to Destruction: Exploring Salt-Driven Viscous Convergence at Europa’s Icy Shell”, assinada por Austin Green e Catherine Cooper, em 20 de janeiro de 2026 (DOI: 10.3847/PSJ/ae2b6f). O trabalho utiliza modelagem computacional avançada para explicar como o gelo superficial de Europa pode se comportar de forma inesperada. Três pontos ajudam a contextualizar a descoberta:
Um mecanismo inspirado na geologia da Terra
Para enfrentar esse enigma, os pesquisadores adaptaram um conceito conhecido da geociência terrestre: a delaminação crustal. Na Terra, esse processo ocorre quando partes mais densas da crosta se separam e afundam no manto. Em Europa, algo semelhante pode acontecer dentro da própria camada de gelo.

Regiões da superfície ricas em sais densos tornam o gelo mais pesado e estruturalmente frágil. Segundo as simulações, esse gelo salgado pode se destacar do entorno e afundar lentamente, atravessando a crosta congelada até alcançar o oceano subterrâneo.
Nutrientes, energia e habitabilidade
Esse afundamento teria consequências profundas, pois, além de reciclar a superfície de Europa, o processo permitiria o transporte contínuo de sais e compostos químicos úteis à vida, bem como de energia química essencial em ambientes sem luz, além de materiais superficiais modificados pela intensa radiação.
Mesmo pequenas fragilidades na estrutura do gelo já seriam suficientes para dar início a esse movimento descendente, que ocorre em escalas de tempo geologicamente rápidas, reforçando a eficiência do mecanismo proposto.
Implicações para missões espaciais
As conclusões dialogam diretamente com os objetivos científicos da missão Europa Clipper, da NASA, lançada em 2024. A missão busca entender a estrutura do gelo, a composição do oceano e o potencial biológico da lua, tornando esse novo modelo especialmente relevante para a interpretação dos dados futuros.
Ao revelar um mecanismo físico viável para a entrega de nutrientes ao oceano de Europa, o estudo reduz uma das maiores incertezas sobre sua habitabilidade. Assim, Europa se consolida como um dos ambientes mais promissores na busca por vida extraterrestre no Sistema Solar.















