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Hidrogênio verde pode ficar mais barato e livre de químicos eternos

Projeto europeu busca eliminar PFAS e reduzir metais raros na eletrólise

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Fala Ciência|Do R7

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Hidrogênio verde pode ficar mais barato e limpo (Imagem: Chirila Sofia's Images via Canva) Fala Ciência

O hidrogênio verde é frequentemente apontado como peça-chave da transição energética. No entanto, por trás da promessa de combustível limpo, existe um desafio pouco discutido: sua produção ainda é cara e depende de substâncias químicas persistentes no ambiente. Agora, um consórcio europeu afirma ter encontrado caminhos para superar essas barreiras.

O projeto SUPREME, apoiado pela União Europeia e liderado pela Universidade do Sul da Dinamarca, reúne instituições como a Universidade Tecnológica de Graz para desenvolver uma nova geração de sistemas de eletrólise PEM mais sustentáveis. Atualmente, os principais entraves da tecnologia são:


  • Uso de PFAS, conhecidos como “químicos eternos”;
  • Dependência de metais raros, como o irídio;
  • Custo superior ao do hidrogênio produzido a partir de combustíveis fósseis.

O problema invisível dos “químicos eternos”


A eletrólise por membrana de troca de prótons (PEM) é eficiente, sobretudo quando integrada a fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Contudo, muitos sistemas utilizam PFAS (substâncias per- e polifluoroalquil), compostos altamente persistentes no ambiente e associados a riscos à saúde.

Diante da proposta europeia de restringir esses compostos, torna-se urgente desenvolver alternativas viáveis. O projeto SUPREME busca justamente criar membranas e componentes livres de PFAS, mantendo desempenho e durabilidade industrial.


Menos irídio, mais competitividade

Outro ponto crítico é o uso do irídio, metal do grupo da platina essencial nos catalisadores da eletrólise PEM. Além de caro, trata-se de um recurso escasso. Os pesquisadores trabalham para:


  • Reduzir em até 75% o uso de irídio;
  • Desenvolver processos capazes de reciclar até 90% do metal utilizado;
  • Criar novas arquiteturas de eletrolisadores mais eficientes.

Além disso, institutos como o Fraunhofer ISE contribuem com o desenvolvimento de unidades de eletrodo-membrana avançadas, enquanto empresas especializadas projetam sistemas rotativos que podem aumentar o desempenho global.

Hidrogênio verde mais acessível

O impacto potencial é significativo. O hidrogênio já é amplamente utilizado na produção de amônia, metanol e aço. Se seu custo cair e sua produção se tornar ambientalmente mais segura, ele poderá competir diretamente com o hidrogênio fóssil e ampliar aplicações, inclusive no armazenamento de energia renovável excedente.

Portanto, ao atacar simultaneamente custo, sustentabilidade química e escassez de materiais críticos, o projeto europeu pode acelerar a consolidação do hidrogênio verde como vetor energético estratégico. Se bem-sucedida, essa reformulação tecnológica poderá aproximar a transição energética de um cenário economicamente viável e ambientalmente mais seguro.

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