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Hubble revela galáxia quase invisível dominada por matéria escura

Observações do Hubble indicam que CDG-2 pode ser composta quase inteiramente por matéria escura

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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A galáxia CDG-2, pouco luminosa, aparece à direita e é rica em matéria escura (Imagem: NASA, ESA, Dayi Li (UToronto); Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)) Fala Ciência

Em meio ao brilho intenso de bilhões de galáxias espalhadas pelo cosmos, algumas permanecem praticamente invisíveis. Uma delas acaba de chamar a atenção dos astrônomos: a CDG-2, um objeto extremamente tênue que pode ser composto por cerca de 99% de matéria escura. A descoberta foi detalhada na revista The Astrophysical Journal Letters.

A identificação contou com dados do Telescópio Espacial Hubble, além do Euclid e do Telescópio Subaru. Juntos, esses observatórios permitiram confirmar que a galáxia, localizada no Aglomerado de Perseu, a cerca de 300 milhões de anos-luz, apresenta brilho superficial extremamente baixo. Entre os principais achados:


  • Apenas uma dispersão esparsa de estrelas visíveis;
  • Forte presença de aglomerados globulares compactos;
  • Massa total aparentemente dominada por matéria escura;
  • Indícios de perda de gás hidrogênio por interações gravitacionais.

Detectando o invisível no Aglomerado de Perseu


Galáxias de baixo brilho superficial são difíceis de observar porque praticamente não emitem luz detectável. Para superar esse desafio, a equipe liderada por Dayi Li, da Universidade de Toronto, utilizou métodos estatísticos avançados para buscar agrupamentos incomuns de aglomerados globulares, estruturas densas e esféricas de estrelas que orbitam galáxias.

No caso da CDG-2, quatro desses aglomerados estavam concentrados em uma região específica. As imagens de alta resolução do Hubble revelaram, ao redor deles, um brilho difuso extremamente fraco, sugerindo a presença de uma galáxia subjacente quase invisível.


99% matéria escura e quase nenhuma estrela

Análises preliminares indicam que a CDG-2 possui luminosidade equivalente a aproximadamente 6 milhões de estrelas semelhantes ao Sol, número modesto para padrões galácticos. No entanto, quando se calcula sua massa total, o cenário muda drasticamente: cerca de 99% parece ser matéria escura, componente invisível que não emite, absorve ou reflete luz.


A hipótese mais aceita é que interações gravitacionais dentro do aglomerado tenham removido grande parte do gás hidrogênio, matéria-prima essencial para formar novas estrelas. Restaram apenas aglomerados globulares resistentes às forças de maré, funcionando como marcadores gravitacionais dessa estrutura fantasmagórica.

O papel da tecnologia e do aprendizado de máquina

Com o avanço de missões como o Euclid e futuros observatórios, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman e o Observatório Vera C. Rubin, os astrônomos estão combinando levantamentos em larga escala com aprendizado de máquina para analisar volumes massivos de dados.

A descoberta da CDG-2 reforça que o Universo pode abrigar inúmeras galáxias quase invisíveis, escondidas sob o domínio gravitacional da matéria escura. Cada novo objeto identificado amplia nossa compreensão sobre a formação galáctica e sobre a própria natureza dessa substância misteriosa que molda a estrutura do cosmos.

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