IMC pode estar classificando errado milhões de pessoas, aponta pesquisa
Pesquisa mostra que o IMC pode errar classificações ao ignorar gordura corporal real medida por DXA
Fala Ciência|Do R7

A forma como o peso corporal é avaliado na medicina pode não ser tão precisa quanto se imaginava. Um novo estudo científico indica que o índice de massa corporal (IMC), amplamente utilizado em consultórios e políticas de saúde, pode estar classificando erroneamente uma parcela significativa da população. O motivo está na diferença entre peso total e composição corporal real, especialmente a quantidade de gordura.
A pesquisa, apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026) e publicada na revista científica Nutrients (Milanese et al., 2025), comparou o IMC com a tecnologia de alta precisão DXA (absorciometria de raios X de dupla energia), considerada padrão ouro para análise de gordura corporal.
Quando o número na balança não conta toda a história
O IMC é calculado apenas com base em altura e peso. Embora seja simples e amplamente usado, ele não diferencia gordura, massa muscular e distribuição corporal. Por outro lado, o método DXA avalia diretamente a porcentagem de gordura corporal, oferecendo uma visão mais detalhada do organismo.
Essa diferença foi central na investigação, que avaliou mais de 1.300 adultos entre 18 e 98 anos. Todos passaram por análise comparativa entre os dois métodos.
Os resultados chamaram atenção:
Onde o IMC mais erra na prática clínica
A análise revelou padrões importantes de inconsistência entre os métodos:
Além disso, o estudo mostrou que a prevalência real de obesidade e sobrepeso pode ser menor ou diferente da estimada apenas pelo IMC, alterando significativamente a forma como populações são avaliadas.
O papel da gordura corporal na nova leitura da saúde

A principal mudança de perspectiva está no foco da adiposidade (gordura corporal). Ao considerar esse fator, a classificação do estado nutricional muda de forma relevante.
Isso acontece porque:
Como resultado, indivíduos com perfis corporais diferentes podem receber a mesma classificação.
Importância para a saúde pública
Os autores do estudo sugerem que o uso isolado do IMC pode levar a diagnósticos imprecisos, tanto para excesso quanto para deficiência de peso. Por isso, cresce a recomendação de combinar o IMC com outros métodos, como:
Essa abordagem combinada pode melhorar a precisão na identificação de riscos metabólicos e cardiovasculares.
Embora a pesquisa tenha sido realizada com adultos caucasianos da Itália, especialistas destacam que padrões semelhantes podem ocorrer em outras populações. No entanto, ainda são necessários novos estudos em diferentes etnias e regiões para confirmar essa hipótese.














