Jovem com doença de Bruce Willis morre aos 24 anos e doa cérebro para pesquisa
Caso raro de demência frontotemporal em adulto jovem pode ajudar a ciência a avançar
Fala Ciência|Do R7

A demência costuma ser associada ao envelhecimento, mas casos raríssimos mostram que essa percepção nem sempre corresponde à realidade. A morte de um jovem de 24 anos, diagnosticado com a mesma doença neurodegenerativa de Bruce Willis, chama a atenção não apenas pela idade extremamente precoce, mas também pelo impacto científico de sua decisão final.
Após o falecimento, seu cérebro foi doado para pesquisa, contribuindo diretamente para o avanço do conhecimento sobre a demência frontotemporal.
O diagnóstico ocorreu quando ele tinha apenas 22 anos, após o surgimento de alterações comportamentais progressivas e dificuldades cognitivas. Em pouco tempo, o quadro evoluiu de forma agressiva, desafiando os padrões clínicos mais conhecidos dessa doença.
Uma demência diferente do Alzheimer
A demência frontotemporal, também chamada de doença de Pick, afeta principalmente os lobos frontal e temporal do cérebro, regiões responsáveis pelo comportamento, controle emocional, linguagem e tomada de decisões. É o mesmo tipo de demência diagnosticado em Bruce Willis, embora, na maioria dos casos, ela surja décadas mais tarde.
Diferentemente da doença de Alzheimer, a perda de memória não costuma ser o primeiro sinal. Os sintomas iniciais geralmente envolvem:
Essas características tornam o diagnóstico mais complexo, especialmente em adultos jovens, nos quais a possibilidade de demência raramente é considerada nos primeiros estágios.
Progressão rápida e colapso neural

Exames de imagem cerebral revelaram uma degeneração neuronal intensa e acelerada, indicando que redes cerebrais inteiras entraram em colapso em um curto intervalo de tempo. Esse padrão agressivo é incomum, mas extremamente relevante do ponto de vista científico.
Com a progressão da doença, o jovem passou a depender de ajuda constante para atividades básicas e perdeu gradualmente a capacidade de se comunicar. A evolução rápida reforça que, em algumas pessoas, os mecanismos de proteção do cérebro falham de forma precoce e devastadora.
Doação do cérebro e legado científico
Diante da inexistência de cura para a demência frontotemporal e das opções terapêuticas limitadas, a família optou por doar o cérebro para a ciência. Essa decisão transforma uma tragédia pessoal em um legado científico de alto valor.
O tecido cerebral humano é essencial para que pesquisadores compreendam:
Casos raros como esse oferecem uma oportunidade única para investigar por que cérebros jovens podem se tornar vulneráveis tão cedo.
Demência precoce ainda é exceção
Embora existam formas de demência de início precoce, elas continuam sendo raras. A demência frontotemporal é mais frequentemente diagnosticada entre os 45 e 65 anos, e mesmo os casos considerados precoces costumam surgir após os 30. Um diagnóstico aos 22 anos permanece excepcional.
Além disso, existem dezenas de doenças genéticas raras que causam demência na infância e juventude, a maioria sem tratamento eficaz, o que reforça a urgência de investimentos contínuos em pesquisa em neurociência.
Um cérebro que pode ajudar milhares de outros
A doação do cérebro desse jovem representa uma contribuição direta para o futuro da medicina. Cada estudo baseado em tecido humano aproxima a ciência de respostas mais precisas sobre a origem, a progressão e o possível controle das doenças neurodegenerativas. Mesmo após a morte, seu caso pode ajudar a proteger outras vidas.















