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Linfoma raro pode surgir tardiamente em mulheres com próteses mamárias, revela estudo

Pesquisa recente redefine o entendimento sobre linfoma associado a implantes

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Linfoma em próteses pode surgir após 7 anos. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Apesar de se manifestar na região mamária, o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido como BIA-ALCL, não é câncer de mama. Trata-se de um tipo raro de linfoma, originado nas células do sistema linfático, cuja relação com implantes vem sendo cada vez mais documentada pela literatura científica.

Uma das análises mais abrangentes sobre o tema foi publicada na Aesthetic Surgery Journal, no estudo “Breast Implant–Associated Anaplastic Large Cell Lymphoma: Comparison of Manufacturers From UK National Data”, em setembro de 2025 (DOI: 10.1093/asj/sjaf190). O trabalho reforça que o BIA-ALCL é um evento raro, porém real, e exige vigilância clínica contínua.


Onde o linfoma se desenvolve e por quê

O estudo confirma que o BIA-ALCL surge, na maioria dos casos, na cápsula fibrosa formada naturalmente ao redor do implante. Essa cápsula pode se tornar o local de um processo inflamatório persistente ao longo dos anos, criando um ambiente favorável à transformação maligna de células do sistema imune.


Diferentemente de tumores mamários clássicos, o tecido da mama costuma permanecer preservado. Essa característica explica por que o tratamento e o prognóstico do BIA-ALCL são distintos de outros cânceres mamários.

Um risco que aparece com o tempo


Os dados analisados no estudo de 2025 mostram que o intervalo entre a cirurgia e o diagnóstico é longo, frequentemente superior a sete anos. Esse aspecto reforça que próteses mamárias não devem ser encaradas como dispositivos permanentes e que o acompanhamento médico precisa se estender por toda a vida útil do implante.

Embora a incidência global seja baixa, a pesquisa destaca que o risco não é desprezível em populações amplas, especialmente considerando o grande número de mulheres com implantes em todo o mundo.


Sinais clínicos que merecem investigação

O achado clínico mais comum do BIA-ALCL é o inchaço tardio da mama, geralmente provocado pelo acúmulo de líquido ao redor do implante. Esse quadro, chamado de seroma tardio, não é esperado anos após a cirurgia e deve sempre ser investigado.

Outros sinais incluem:

  • Assimetria súbita
  • Dor persistente
  • Endurecimento local
  • Presença de nódulos

O estudo reforça que a identificação precoce é decisiva para bons desfechos.

Tratamento e perspectivas clínicas

Quando o linfoma está restrito à cápsula, a retirada completa do implante e da cápsula costuma ser suficiente para o controle da doença. Os dados analisados indicam alto índice de cura nesses casos. 

Situações mais avançadas podem exigir terapias complementares, como quimioterapia ou imunoterapia, mas continuam apresentando prognóstico favorável quando tratadas adequadamente.

Informação como estratégia de prevenção

A análise de dados do Reino Unido reforça que informação e acompanhamento salvam vidas. Reconhecer sinais tardios, manter exames periódicos e compreender os riscos associados aos implantes permite decisões mais seguras e conscientes.

O BIA-ALCL permanece raro, mas a ciência deixa claro que a vigilância contínua é parte essencial do cuidado com a saúde mamária a longo prazo.

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