Lixo que vira solução: plástico comum agora captura CO₂ do ar
Plástico reciclado pode ajudar a frear as mudanças climáticas
Fala Ciência|Do R7
Durante décadas, o plástico PET foi símbolo de um problema ambiental crescente: difícil de degradar, abundante e altamente poluente. Agora, uma nova abordagem científica sugere uma virada de chave promissora. Pesquisadores da Universidade de Copenhague desenvolveram uma técnica que transforma resíduos de PET em um material funcional capaz de capturar CO₂ da atmosfera, atacando simultaneamente dois desafios globais: o excesso de plástico e o avanço das mudanças climáticas. A tecnologia foi descrita em um estudo publicado na Science Advances e propõe um conceito de reaproveitamento avançado, conhecido como upcycling químico. Em vez de apenas reciclar, o processo modifica profundamente o plástico, gerando um novo material com propriedades ambientais estratégicas. Logo de início, o método se destaca por alguns pontos-chave: O material desenvolvido recebeu o nome de BAETA. Ele se apresenta como um pó fino que pode ser compactado em pellets, com uma superfície quimicamente ajustada para se ligar ao dióxido de carbono de forma eficiente. Essa ligação ocorre graças à modificação do PET com etilenodiamina, substância conhecida por sua alta afinidade química com o CO₂. Além disso, o BAETA funciona em uma ampla faixa de temperatura, desde condições ambientes até cerca de 150 °C. Isso amplia significativamente seu potencial de uso, permitindo a instalação direta em chaminés industriais, onde os gases são mais quentes e concentrados. Após capturar o CO₂, o material pode ser aquecido para liberar o gás em alta concentração. Esse dióxido de carbono pode, então, ser armazenado com segurança ou reaproveitado em processos industriais, como a produção de combustíveis sintéticos e outros compostos químicos. Outro ponto relevante é a durabilidade: o material mantém sua eficiência ao longo de múltiplos ciclos, o que reforça sua viabilidade econômica e ambiental. Como o PET representa uma parcela significativa do lixo plástico global, frequentemente acumulado em lixões ou fragmentado em microplásticos nos oceanos, a nova técnica cria um incentivo concreto para sua coleta e reaproveitamento. Ao unir gestão de resíduos e redução de gases de efeito estufa, a proposta aponta para um modelo mais inteligente de economia circular.O próximo passo envolve escalar a produção do BAETA e integrá-lo à indústria. Se isso ocorrer, a tecnologia pode se tornar uma ferramenta estratégica no combate ao aquecimento global, transformando um passivo ambiental em um ativo climático.
BAETA: quando o lixo ganha função climática
Um ciclo inteligente de captura e reaproveitamento














