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Mapa inédito revela onde escorpiões letais podem atacar primeiro

Pesquisa usa modelagem ecológica para prever áreas com maior incidência de picadas

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Fala Ciência|Do R7

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Ciência prevê áreas críticas para picadas de escorpião (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Antecipar onde escorpiões altamente venenosos podem surgir sempre foi um desafio para a saúde pública. Agora, uma equipe liderada pela Universidade de Galway desenvolveu uma estratégia capaz de mapear regiões com maior probabilidade de concentração de espécies perigosas antes mesmo que ocorram acidentes.

O estudo, publicado na Environmental Research Communications, concentrou-se no centro de Marrocos, uma das áreas com maior incidência de picadas no mundo e combinou trabalho de campo na África com modelagem computacional avançada. Os pesquisadores identificaram fatores ambientais determinantes:


  • Tipo de solo como principal variável associada à presença de espécies letais;
  • Temperatura média e variação sazonal influenciando a distribuição de determinadas espécies;
  • Diferenças ecológicas que tornam algumas espécies mais restritas a habitats específicos.

Essas descobertas permitem identificar verdadeiras “zonas quentes” de risco.


A influência silenciosa do solo sobre espécies altamente venenosas

Embora temperatura e clima sejam frequentemente associados à presença de animais peçonhentos, o estudo demonstrou que a composição do solo exerce papel decisivo na maioria das espécies analisadas. Certos tipos de terreno oferecem melhores condições para abrigo, reprodução e disponibilidade de presas.


Além disso, algumas espécies apresentam alta plasticidade ecológica, ocupando grandes extensões territoriais. Outras, porém, ficam confinadas a microambientes específicos, o que gera áreas concentradas de maior perigo para populações locais.

Inteligência artificial e Máxima Entropia revelam onde escorpiões podem surgir


Para construir o mapa preditivo, os cientistas aplicaram a técnica de Máxima Entropia (MaxEnt), amplamente utilizada em modelagem de nicho ecológico. O método integra dados ambientais globais, como solo e temperatura, para estimar onde uma espécie tem maior probabilidade de ocorrer.

Essa abordagem é especialmente valiosa em regiões tropicais, onde os registros sobre distribuição de escorpiões ainda são limitados. Ao extrapolar os resultados, torna-se possível aplicar o modelo em outras áreas do mundo, incluindo América Latina, Oriente Médio e Índia.

Impacto direto na saúde pública

As picadas de escorpião representam um problema negligenciado de saúde pública, com mais de 2 milhões de casos anuais em todo o mundo. Embora muitas ocorrências provoquem apenas dor local e inchaço, espécies altamente venenosas podem desencadear complicações graves, especialmente em crianças e idosos.

Ao prever áreas de maior risco, as autoridades sanitárias passam a ter melhores condições de direcionar campanhas educativas, capacitar profissionais de saúde, planejar estoques estratégicos de antiveneno e priorizar comunidades vulneráveis.

O estudo conduzido por Fouad Salhi e colaboradores reforça a importância da integração entre ecologia, tecnologia e saúde pública. Em um contexto de mudanças ambientais globais, ferramentas preditivas como essa podem ser decisivas para reduzir a mortalidade e aprimorar as respostas médicas. A ciência, portanto, avança não apenas na compreensão dos escorpiões, mas também na proteção de vidas.

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