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Marsupiais considerados extintos há 6 mil anos reaparecem nas florestas da Nova Guiné

Redescoberta revela dois marsupiais considerados extintos vivendo em florestas isoladas

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Marsupiais extintos há 6 mil anos são redescobertos na Nova Guiné (Imagem: Arman Muharmansyah (à esquerda)/ Carlos Bocos (à direita) - CC BY-SA 4.0) Fala Ciência

A biodiversidade do planeta ainda guarda surpresas impressionantes. Em uma descoberta que chama a atenção da comunidade científica, duas espécies de marsupiais consideradas extintas há cerca de 6 mil anos foram encontradas vivas nas florestas tropicais da Nova Guiné. O achado reforça a ideia de que regiões remotas do planeta ainda escondem animais raros ou pouco estudados.

As espécies redescobertas são o gambá-pigmeu-de-dedos-longos (Dactylonax kambuayai) e o planador-de-cauda-anelada (Tous ayamaruensis). Até recentemente, os cientistas acreditavam que esses animais existiam apenas no registro fóssil, principalmente em vestígios encontrados na Austrália datados do final da última era glacial.


A confirmação da existência atual dessas espécies ocorreu após décadas de investigação e coleta de evidências nas florestas da Península de Vogelkop, uma área isolada da Papua-Nova Guiné. Entre os pontos mais relevantes da descoberta estão:

  • Identificação de duas espécies consideradas desaparecidas por milênios;
  • Registros fotográficos obtidos em regiões remotas da floresta tropical;
  • Colaboração direta com comunidades indígenas locais;
  • publicação dos resultados em estudos científicos na revista Records of the Australian Museum.


Esses fatores foram fundamentais para validar cientificamente a redescoberta.

Animais que “ressurgem” após desaparecer do registro científico


Na biologia, espécies que reaparecem após longos períodos sem registros são chamadas de “táxons Lázaro”. Esse termo descreve organismos que parecem desaparecer completamente do registro fóssil ou das observações científicas antes de serem encontrados novamente vivos.

Esse é justamente o caso das duas espécies identificadas na Nova Guiné. Durante muito tempo, acreditou-se que esses marsupiais haviam desaparecido junto com parte da fauna da região após mudanças climáticas ocorridas no final da última era glacial.


No entanto, a nova descoberta mostra que pequenas populações sobreviveram em áreas florestais pouco exploradas.

Características únicas dos marsupiais redescobertos

Os dois animais possuem adaptações curiosas para a vida nas copas das árvores. O gambá-pigmeu-de-dedos-longos apresenta um dedo extremamente alongado em cada mão, utilizado para retirar larvas de insetos escondidas na madeira em decomposição. Além disso, suas orelhas podem ajudar a detectar sons de baixa frequência produzidos por insetos dentro dos troncos.

Já o planador-de-cauda-anelada possui membranas que permitem planar entre árvores, semelhante aos planadores-gigantes australianos. A espécie também possui uma cauda preênsil, adaptada para segurar galhos enquanto se movimenta pela vegetação.

Florestas isoladas podem esconder mais espécies raras

Apesar da redescoberta, pouco ainda se sabe sobre a distribuição exata dessas espécies ou sobre o tamanho de suas populações. Para evitar riscos como tráfico de animais silvestres, os locais específicos onde os marsupiais foram encontrados permanecem em sigilo.

Além disso, ambos os animais enfrentam ameaças ambientais, principalmente a exploração madeireira, que pode destruir árvores antigas utilizadas como abrigo e local de reprodução. Dessa forma, os resultados reforçam a importância da conservação das florestas tropicais da Nova Guiné, consideradas uma das regiões com maior biodiversidade do planeta. Ao mesmo tempo, a descoberta mostra que muitos segredos da fauna global ainda aguardam ser revelados pela ciência.

Escrito por Leandro C. Sinis, Biólogo (UFRJ) para o Fala Ciência.

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