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Medicamento já existente mostra potencial para tratar apneia do sono

Estudo europeu indica que medicamento pode reduzir pausas respiratórias durante o sono

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Estudo testa pílula que pode reduzir apneia do sono. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio comum que interrompe a respiração repetidamente durante a noite, prejudicando o descanso e aumentando riscos para a saúde. Embora o tratamento padrão seja o uso de aparelhos respiratórios, muitos pacientes abandonam essa terapia por desconforto. Agora, um novo estudo aponta que um medicamento em forma de pílula pode representar uma alternativa promissora.

A pesquisa foi publicada na revista científica The Lancet em 2025, e investigou o potencial do sultiame, um fármaco já utilizado no tratamento de certos tipos de epilepsia infantil.


Como o medicamento foi testado

O ensaio clínico envolveu 298 pessoas com apneia do sono moderada a grave em diferentes centros de pesquisa europeus. O estudo seguiu o modelo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado um dos padrões mais rigorosos na pesquisa médica.


Os voluntários foram separados em diferentes grupos de tratamento:

placebo
doses variadas de sultiame


Nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo o medicamento ativo durante o estudo. Esse método reduz vieses e aumenta a confiabilidade dos resultados.

Redução expressiva das interrupções respiratórias


Os dados mostraram que os pacientes tratados com doses mais altas de sultiame apresentaram resultados relevantes. Em comparação com o grupo placebo, houve:

até 47% menos episódios de interrupção da respiração durante o sono
melhor oxigenação sanguínea enquanto os pacientes dormiam

Esses achados indicam que o medicamento pode reduzir significativamente a gravidade da apneia do sono, um fator importante para melhorar a qualidade do descanso e a saúde geral.

O que acontece no corpo durante a apneia

Na apneia obstrutiva do sono, as vias aéreas superiores colapsam repetidamente enquanto a pessoa dorme. Isso gera pausas respiratórias que podem durar vários segundos e ocorrer dezenas ou até centenas de vezes por noite.

Com o tempo, esse distúrbio pode provocar consequências importantes, incluindo:

hipertensão arterial
doenças cardiovasculares
acidente vascular cerebral
diabetes tipo 2

Além disso, o sono fragmentado causa cansaço persistente, dificuldade de concentração e maior risco de acidentes.

Como o sultiame pode ajudar

Segundo os resultados descritos no estudo publicado na The Lancet, o sultiame parece atuar sobre o controle da respiração no sistema nervoso. O medicamento aumenta o estímulo respiratório e ajuda a estabilizar o padrão de respiração durante o sono.

Esse mecanismo reduz a probabilidade de colapso das vias aéreas superiores, evento central na apneia obstrutiva do sono.

Outro ponto relevante é que a maioria dos efeitos colaterais observados foi leve e temporária, o que reforça o potencial do medicamento como abordagem terapêutica futura.

Limitações e próximos passos da pesquisa

Apesar dos resultados promissores, os cientistas destacam que ainda são necessários estudos maiores e de longo prazo para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento em diferentes grupos de pacientes.

Hoje, a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) continua sendo o tratamento mais eficaz. No entanto, estima-se que até metade dos pacientes abandone o dispositivo dentro de um ano, principalmente devido ao desconforto causado pela máscara.

Nesse contexto, um tratamento medicamentoso poderia representar uma nova estratégia complementar ou alternativa, especialmente para pessoas que não conseguem se adaptar ao CPAP.

Se futuros estudos confirmarem os resultados iniciais, o sultiame poderá abrir caminho para uma nova geração de terapias farmacológicas voltadas ao tratamento da apneia do sono.

*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Rafaela Lucena, Farmacêutica (CRF-RJ: 13912).

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