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Menopausa pode alterar o cérebro e impactar a saúde mental feminina

Mudanças hormonais estão associadas a alterações cerebrais, sono ruim e piora emocional

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Menopausa pode reduzir áreas do cérebro ligadas à memória. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A menopausa é frequentemente lembrada pelos sintomas físicos, mas evidências científicas recentes indicam que suas repercussões vão muito além do corpo. Um estudo de grande escala publicado em Psychological Medicine analisou como essa fase da vida feminina se relaciona com alterações no cérebro, na saúde mental e no desempenho cognitivo, levantando alertas importantes para o envelhecimento saudável das mulheres.

O que acontece no cérebro durante a menopausa?


A pesquisa avaliou dados de quase 125 mil mulheres do Reino Unido e identificou uma associação entre a menopausa e a redução do volume da massa cinzenta, uma região cerebral essencial para memória, aprendizado, emoções e tomada de decisões. Esse tipo de tecido concentra corpos de neurônios e é vital para o processamento de informações.

As reduções foram observadas especialmente em áreas estratégicas do cérebro, como:


  • Hipocampo, ligado à formação de memórias
  • Córtex entorrinal, que conecta o hipocampo a outras regiões
  • Córtex cingulado anterior, relacionado à regulação emocional e ao foco

Essas regiões são conhecidas por sua vulnerabilidade em processos neurodegenerativos, o que reforça a relevância dos achados.


Ansiedade e depressão

Além das mudanças estruturais, mulheres na pós-menopausa apresentaram maior prevalência de sintomas de ansiedade e depressão. Os dados indicam aumento na busca por atendimento médico e escores mais elevados em avaliações de sofrimento emocional.


Esse cenário sugere que as transformações hormonais podem intensificar a vulnerabilidade psicológica, especialmente quando combinadas a fatores como estresse crônico e envelhecimento cerebral.

Sono ruim e desempenho cognitivo mais lento

Outro aspecto analisado foi o sono. Mulheres após a menopausa relataram mais insônia, menor qualidade do descanso e sensação frequente de cansaço. Esses fatores são reconhecidos por afetar diretamente a saúde mental e o funcionamento cognitivo.

Nos testes cognitivos, foi observado tempo de reação mais lento, sobretudo entre mulheres que não utilizavam terapia hormonal. Isso indica que a menopausa pode influenciar aspectos sutis, porém relevantes, da performance cerebral cotidiana.

Terapia hormonal e seus limites

O estudo também avaliou mulheres que fizeram terapia de reposição hormonal. Embora essa estratégia seja amplamente usada para aliviar sintomas físicos da menopausa, os resultados sugerem que ela não promove melhora significativa nos sintomas emocionais nem nas alterações cerebrais observadas.

Esses achados reforçam a necessidade de avaliar cuidadosamente os benefícios e limitações dessa abordagem, especialmente quando o objetivo é proteger a saúde mental e cognitiva.

Implicações para o envelhecimento feminino

As mudanças cerebrais observadas ajudam a compreender por que as mulheres apresentam maior risco de demência ao longo da vida. Embora a menopausa não seja a única explicação, ela pode atuar como um fator adicional de vulnerabilidade.

Os pesquisadores destacam que acompanhar essas mulheres ao longo do tempo será fundamental para entender melhor os impactos de longo prazo e orientar estratégias preventivas baseadas em evidências.

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