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Minirrobôs guiados por ímãs podem eliminar pedras nos rins sem cirurgia

Tecnologia experimental usa minirrobôs guiados por ímãs para dissolver cálculos renais

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Ilustração de minirrobôs guiados por ímãs dissolvem pedras nos rins sem cirurgia. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A medicina vem explorando novas formas de tratar pedras nos rins com menos intervenções invasivas. Uma dessas estratégias envolve o uso de minirrobôs capazes de atuar diretamente dentro do trato urinário, modificando a química da urina para favorecer a dissolução de certos tipos de cálculos renais.

Essa abordagem foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Advanced Healthcare Materials, no qual pesquisadores descrevem pequenos dispositivos que podem ser guiados por campos magnéticos externos até a região onde o cálculo está localizado. Em testes realizados em laboratório, a tecnologia demonstrou potencial para reduzir a massa de pedras formadas por ácido úrico, um tipo relativamente comum de cálculo renal.


Os resultados iniciais indicam que essa estratégia pode abrir caminho para tratamentos menos invasivos, especialmente para pacientes que apresentam formação recorrente de cálculos ou possuem contraindicações para procedimentos cirúrgicos.

Entendendo como surgem as pedras nos rins


Os cálculos renais se formam quando substâncias presentes na urina se cristalizam e se acumulam dentro do sistema urinário. Dependendo da composição química, esses depósitos podem crescer e provocar sintomas como dor intensa, náuseas e dificuldade para urinar.

Entre os diferentes tipos existentes, cerca de 13% das pedras são compostas principalmente por ácido úrico. Esse tipo de cálculo tende a se formar quando a urina apresenta pH mais ácido, condição que favorece a cristalização dessa substância.


Por esse motivo, uma estratégia médica frequentemente utilizada consiste em aumentar o pH da urina, tornando-a menos ácida. Quando o ambiente urinário se torna mais alcalino, os cristais de ácido úrico podem começar a se dissolver gradualmente.

Como os minirrobôs modificam a química da urina


Ultrassom em tempo real mostra robôs em tecidos renais e na bexiga. (Foto: A.Khabbazian et al via Adv. Healthcare Mater) Fala Ciência

Os dispositivos descritos no estudo funcionam como microrrobôs flexíveis projetados para circular pelo trato urinário. Eles possuem dimensões reduzidas, com aproximadamente 1 milímetro de espessura e cerca de 12 milímetros de comprimento, o que permite sua movimentação em estruturas internas do sistema urinário.

Esses robôs possuem dois componentes fundamentais:

  • um microscópico ímã interno, que permite sua orientação por campos magnéticos externos
  • a enzima urease, responsável por desencadear uma reação química na urina

Quando a urease entra em contato com a ureia presente naturalmente na urina, ocorre uma reação que libera amônia e dióxido de carbono. Esse processo aumenta o pH do líquido, tornando-o menos ácido.

De acordo com os experimentos descritos na Advanced Healthcare Materials, essa alteração química foi capaz de elevar o pH urinário de aproximadamente 6 para cerca de 7, faixa considerada adequada para iniciar a dissolução de pedras de ácido úrico.

Resultados iniciais observados em laboratório

Nos testes realizados pelos pesquisadores, os minirrobôs foram avaliados em modelos artificiais do trato urinário e em urina sintética. Nessas condições controladas, foi possível observar uma redução de cerca de 30% na massa de cálculos renais em cinco dias.

Embora esse resultado não represente a dissolução completa do cálculo, ele pode ser suficiente para reduzir o tamanho da pedra até um ponto em que o organismo consiga eliminá-la naturalmente.

Em muitos casos, pedras menores que 4 milímetros podem ser expelidas pela urina sem necessidade de intervenção médica mais agressiva.

Desafios antes da aplicação em pacientes

Apesar do potencial da tecnologia, os pesquisadores destacam que ela ainda se encontra em estágio experimental. Os estudos realizados até agora ocorreram exclusivamente em ambiente de laboratório.

Antes que a técnica possa ser aplicada em pacientes, vários aspectos ainda precisam ser avaliados, incluindo:

  • controle preciso dos robôs dentro do trato urinário
  • comportamento do dispositivo em condições reais de fluxo urinário
  • possíveis respostas inflamatórias ou imunológicas do organismo

Além disso, serão necessários testes em organismos vivos e ensaios clínicos para verificar a segurança e a eficácia do método.

Se os resultados futuros confirmarem o potencial da tecnologia, os minirrobôs terapêuticos poderão representar uma nova abordagem para o tratamento de cálculos renais, oferecendo alternativas menos invasivas e potencialmente mais confortáveis para os pacientes.

*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Rafaela Lucena, Farmacêutica (CRF-RJ: 13912).

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