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Mpox pode se tornar grave? Veja quem corre mais risco

A maioria dos casos é leve, mas alguns grupos exigem atenção imediata

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Fala Ciência|Do R7

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Mpox pode se tornar grave em grupos vulneráveis. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Com a retomada de registros de mpox no Brasil, uma pergunta voltou a circular entre a população: a doença pode evoluir para quadros graves. Em 2026, o país contabiliza cerca de 90 casos confirmados e aproximadamente 171 notificações ainda em investigação, o que levou autoridades a reforçarem o acompanhamento epidemiológico. Embora a infecção costume ter evolução favorável na maioria das pessoas, existem grupos específicos com maior risco de complicações.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde intensificou ações de vigilância, diagnóstico precoce e orientação clínica, especialmente voltadas aos públicos mais vulneráveis.


Por que a mpox pode se agravar em algumas pessoas?

Em indivíduos saudáveis, a mpox tende a ser autolimitada, com sintomas que desaparecem ao longo de dias ou semanas. No entanto, a gravidade da doença está diretamente relacionada à capacidade do sistema imunológico de conter a replicação do vírus. Quando essa resposta é insuficiente ou imatura, o risco de evolução desfavorável aumenta.


Nessas situações, podem surgir lesões extensas, infecções secundárias, desidratação e até comprometimento sistêmico, exigindo acompanhamento médico mais próximo e, em alguns casos, internação hospitalar.

Estudo aponta gestantes como grupo de risco


A vulnerabilidade de certos públicos não é apenas uma hipótese clínica. Um estudo publicado na revista American Journal of Obstetrics & Maternal-Fetal Medicine analisou casos de mpox durante a gestação e identificou frequência elevada de desfechos adversos, incluindo perda fetal e transmissão vertical.

A pesquisa, intitulada “Monkeypox infection in pregnancy: a systematic review and meta-analysis”, conduzida por Francesco D’Antonio e publicada em janeiro de 2023, reforça que gestantes apresentam risco aumentado de complicações quando infectadas pelo vírus (DOI: 10.1016/j.ajogmf.2022.100747). Esses dados sustentam a classificação desse grupo como prioritário em estratégias de prevenção.


Quais são os grupos que mais correm risco?

Com base em dados clínicos e evidências científicas, três grupos concentram maior probabilidade de evolução grave da mpox:

  • Pessoas imunocomprometidas, como pacientes com HIV sem controle virológico ou em uso de medicamentos imunossupressores
  • Gestantes, devido às alterações imunológicas e ao risco para o feto
  • Crianças, especialmente as mais jovens, cujo sistema imunológico ainda está em desenvolvimento

Para esses públicos, o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir complicações.

Origem do vírus e adaptação ao ser humano

A mpox é classificada como uma zoonose silvestre, ou seja, uma infecção que circula naturalmente entre animais e pode infectar humanos. Segundo o Instituto Butantan, o vírus mantém reservatórios animais, principalmente entre primatas, mas pode ser transmitido entre pessoas por contato direto.

A mudança da nomenclatura da doença foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde, com o objetivo de evitar estigmatização e melhorar a comunicação em saúde pública.

Sintomas, transmissão e prevenção

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e fadiga intensa. Com a progressão, surgem lesões na pele, que podem atingir diferentes regiões do corpo, inclusive a genital.

A transmissão ocorre principalmente por contato direto, especialmente em:

  • Contato íntimo ou sexual
  • Contato pele a pele prolongado
  • Exposição a secreções ou objetos contaminados

O Brasil oferece vacinação para grupos prioritários, com esquema de duas doses e intervalo de quatro semanas. Apesar de a letalidade ser baixa na população geral, o risco aumentado em grupos específicos torna essencial reconhecer os sintomas cedo, buscar atendimento médico e seguir as orientações de isolamento.

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