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Nova molécula surge como estratégia promissora contra câncer de mama agressivo

Molécula experimental bloqueia enzima ligada ao crescimento de tumores agressivos

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Pesquisa aponta alvo metabólico contra câncer agressivo. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

O câncer de mama triplo-negativo é considerado uma das formas mais desafiadoras da doença. Esse subtipo tumoral tende a crescer rapidamente e possui opções terapêuticas limitadas, o que torna a busca por novos tratamentos uma prioridade na oncologia. Agora, pesquisadores identificaram uma molécula experimental capaz de interromper um mecanismo essencial para o crescimento desse tumor.

O estudo foi publicado na revista científica Cell Reports Medicine em 2025 e descreve o desenvolvimento de um composto chamado SU212, projetado para bloquear uma enzima fundamental para o metabolismo das células cancerígenas.


O alvo é uma enzima crucial para a sobrevivência do tumor

A nova estratégia terapêutica concentra-se em uma proteína chamada enolase 1 (ENO1). Essa enzima participa do metabolismo celular, ajudando a converter glicose em energia. Embora essa função seja normal em células saudáveis, muitos tumores passam a produzir quantidades excessivas dessa enzima, utilizando-a para sustentar o crescimento acelerado.


No estudo, os pesquisadores demonstraram que a molécula SU212 se liga diretamente à ENO1. A interação desencadeia a degradação da enzima, interrompendo um dos caminhos metabólicos essenciais para a sobrevivência das células tumorais.

Como consequência, ocorre uma redução na capacidade do câncer de crescer e se espalhar.


Resultados promissores em modelo experimental

Para investigar os efeitos do composto, os cientistas utilizaram um modelo de camundongo humanizado, desenvolvido para reproduzir características do câncer de mama humano. Esse tipo de modelo é amplamente empregado em pesquisas pré-clínicas para avaliar novos tratamentos.


Os resultados mostraram efeitos importantes:

redução do crescimento tumoral
diminuição da disseminação do câncer para outros tecidos
interferência no metabolismo energético das células tumorais

Esses achados indicam que bloquear a atividade da enolase 1 pode representar uma abordagem terapêutica promissora para tumores que dependem fortemente desse mecanismo metabólico.

Um subtipo de câncer com poucas opções terapêuticas

O câncer de mama triplo-negativo representa aproximadamente 15% de todos os casos da doença. Diferentemente de outros tipos de câncer de mama, ele não apresenta três alvos comuns utilizados em terapias atuais:

• receptores de estrogênio
• receptores de progesterona
• proteína HER2

Por causa dessa ausência de alvos moleculares tradicionais, tratamentos direcionados são mais difíceis de desenvolver. Dessa forma, novas estratégias que explorem processos metabólicos do tumor têm despertado grande interesse científico.

Possível impacto além do câncer de mama

Os pesquisadores também destacam que a enolase 1 está envolvida no crescimento de diversos outros tipos de câncer. Entre eles estão:

glioma
câncer de pâncreas
carcinoma da tireoide

Por esse motivo, terapias que bloqueiem essa enzima podem ter potencial aplicação em diferentes tumores, ampliando o impacto clínico da descoberta.

Próximos passos para transformar a descoberta em tratamento

Apesar dos resultados promissores, a molécula SU212 ainda se encontra em fase pré-clínica. O próximo desafio será avançar para ensaios clínicos em humanos, etapa fundamental para avaliar segurança, dose adequada e eficácia em pacientes.

Esse processo exige investimentos significativos e aprovação regulatória antes que o tratamento possa chegar à prática médica.

Ainda assim, os dados apresentados no estudo da Cell Reports Medicine indicam que o bloqueio da enolase 1 pode representar uma nova direção no desenvolvimento de terapias contra tumores agressivos.

*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Rafaela Lucena, Farmacêutica (CRF-RJ: 13912).

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