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Novo anticoagulante pode redefinir a prevenção do AVC recorrente

Molécula inovadora reduz novos eventos sem elevar risco de sangramento

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Anticoagulante inovador atua sem elevar risco hemorrágico. (Foto: TrueCreatives via Canva) Fala Ciência

A prevenção de um segundo acidente vascular cerebral (AVC) sempre foi um dos maiores desafios da neurologia vascular. Embora terapias antiplaquetárias tenham reduzido significativamente a recorrência ao longo das últimas décadas, o risco residual permaneceu elevado, sobretudo em pacientes com AVC isquêmico não cardioembólico. Agora, um estudo internacional apresentado em 2026 sugere que esse cenário pode estar prestes a mudar.

Resultados do estudo Oceanic-Stroke indicam que o asundexian, uma nova molécula anticoagulante oral, foi capaz de reduzir de forma significativa a recorrência do AVC sem aumentar o risco de sangramentos, incluindo hemorragias intracranianas, uma das principais limitações das terapias atuais.


Uma lacuna histórica na prevenção do AVC

Pacientes que sofrem um AVC isquêmico não cardioembólico tradicionalmente recebem antiplaquetários como terapia padrão. No entanto, mesmo com tratamento adequado, uma parcela expressiva continua vulnerável a novos eventos cerebrovasculares.


O grande desafio sempre foi encontrar uma estratégia que reduzisse ainda mais a formação de trombos sem comprometer a hemostasia, já que anticoagulantes clássicos, apesar de eficazes, aumentam substancialmente o risco de sangramentos graves.

Como age o asundexian


O asundexian pertence a uma nova geração de anticoagulantes que atuam de forma altamente seletiva. Seu alvo é o fator XIa (FXIa), uma proteína da cascata de coagulação envolvida principalmente na progressão do trombo, e não na coagulação fisiológica essencial para conter sangramentos.

Esse mecanismo representa uma mudança conceitual importante. Ao inibir o FXIa, o medicamento busca bloquear a formação de coágulos patológicos, responsáveis por eventos como o AVC, preservando ao máximo os mecanismos naturais de proteção contra hemorragias.


Além disso, o asundexian é administrado uma vez ao dia por via oral, o que favorece a adesão ao tratamento.

O que mostrou o estudo Oceanic-Stroke

O estudo Oceanic-Stroke incluiu mais de 12 mil pacientes em 37 países, acompanhados entre 2023 e 2025. Todos haviam sofrido AVC isquêmico não cardioembólico ou ataque isquêmico transitório de alto risco e já faziam uso de terapia antiplaquetária padrão.

Os principais achados foram:

  • Redução aproximada de 26% no risco de novo AVC isquêmico
  • Benefício observado precocemente e mantido ao longo do seguimento
  • Menor incidência de AVCs graves, associados a sequelas ou morte
  • Ausência de aumento significativo de sangramentos, inclusive cerebrais

Esses resultados posicionam o asundexian como um dos avanços mais relevantes recentes na prevenção secundária do AVC.

Segurança como diferencial clínico

O aspecto mais marcante dos dados foi o perfil de segurança. Diferentemente de anticoagulantes tradicionais, a inibição seletiva do FXIa não resultou em aumento clinicamente relevante de hemorragias, um temor histórico no manejo desses pacientes.

Esse equilíbrio entre eficácia antitrombótica e segurança hemorrágica é considerado um divisor de águas no tratamento do AVC.

O que muda a partir de agora

Embora o asundexian ainda não esteja disponível para uso rotineiro, os dados do Oceanic-Stroke abrem caminho para uma nova classe terapêutica na neurologia vascular. A expectativa é que, após avaliações regulatórias, essa abordagem possa complementar ou até redefinir estratégias atuais de prevenção.A longo prazo, esse avanço pode significar menos recorrências, menos sequelas e maior qualidade de vida para milhões de pessoas em risco de AVC.

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