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Objetos estranhos no Cinturão de Kuiper finalmente têm explicação

Simulações avançadas indicam que o colapso gravitacional moldou objetos bilobados no sistema solar externo

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Registro da New Horizons mostra 2014 MU69 no Cinturão de Kuiper (Imagem: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste) Fala Ciência

Nas regiões mais distantes do Sistema Solar, onde a luz solar é fraca e o frio domina, existem objetos que parecem ter sido cuidadosamente empilhados: dois blocos arredondados conectados, lembrando um boneco de neve. Esses corpos habitam o Cinturão de Kuiper, além da órbita de Netuno, e representam alguns dos materiais mais antigos preservados desde o nascimento do nosso sistema planetário.

Durante anos, astrônomos tentaram entender como essas formas delicadas poderiam surgir sem serem destruídas por colisões violentas. Agora, uma equipe da Universidade Estadual de Michigan apresentou uma explicação robusta, baseada em simulações numéricas de alta complexidade. O estudo foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e reforça a importância do colapso gravitacional como mecanismo central na formação desses objetos.


De acordo com o novo modelo, tudo começa com nuvens densas de poeira e gelo orbitando o jovem Sol. À medida que a gravidade age, esse material se concentra progressivamente, formando aglomerados maiores, os chamados planetesimais, blocos primitivos que deram origem a planetas e outros corpos. Em determinadas condições, o colapso da nuvem pode gerar dois núcleos distintos que passam a orbitar um ao outro. Com o tempo, a aproximação é lenta e suave, culminando em um contato estável que preserva as duas estruturas originais. Esse processo envolve etapas fundamentais:

  • Concentração gravitacional de partículas sólidas;
  • Formação de pares binários em órbita mútua;
  • Fusão gradual sem destruição estrutural.


Por que esses mundos duplos sobrevivem intactos por bilhões de anos?

Diferentemente da região interna do sistema solar, o Cinturão de Kuiper é pouco povoado e dinamicamente mais calmo. Como resultado, colisões de grande energia são raras. Isso significa que, uma vez unidos, os dois lóbulos podem permanecer intactos por bilhões de anos. Essa estabilidade ajuda a explicar por que cerca de 10% dos planetesimais observados apresentam formato bilobado.


Modelos anteriores não conseguiam reproduzir essa morfologia porque tratavam os corpos como massas fluidas, que inevitavelmente se fundiriam em uma única esfera. A nova abordagem incorporou propriedades físicas mais realistas, como resistência e interação mecânica entre superfícies sólidas, permitindo simular o encaixe natural das duas partes.

Evidências observacionais reforçam o modelo


O interesse por esses objetos aumentou significativamente após a missão New Horizons registrar imagens detalhadas de um corpo bilobado no Cinturão de Kuiper. Desde então, análises adicionais confirmaram que esse formato não é exceção, mas parte de um padrão consistente.

Portanto, a pesquisa fortalece a ideia de que a gravidade, atuando de forma contínua e silenciosa, pode produzir estruturas complexas sem recorrer a eventos extraordinários. Mais do que resolver um enigma visual, o estudo amplia nossa compreensão sobre os estágios iniciais da formação planetária, oferecendo novas pistas sobre como os primeiros corpos sólidos do Sistema Solar se organizaram e evoluíram ao longo de bilhões de anos.

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