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Ômega Centauri pode esconder buraco negro silencioso, estudo de rádio revela

Pesquisadores não detectam sinais de rádio do suposto buraco negro central

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Astrônomos investigam núcleo do maior aglomerado da Via Láctea (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Entre as milhares de esferas estelares que orbitam a Via Láctea, Ômega Centauri se destaca como o mais impressionante. Com cerca de 10 milhões de estrelas, seu núcleo denso há muito tempo intriga os astrônomos. Recentes análises indicaram que o aglomerado poderia abrigar um buraco negro de massa intermediária, responsável por manter sete estrelas centrais presas apesar de suas altíssimas velocidades.

Para investigar diretamente a presença desse objeto, pesquisadores realizaram observações em rádio utilizando o Australia Telescope Compact Array, acumulando 170 horas de monitoramento. Surpreendentemente, não detectaram qualquer emissão, sugerindo que o buraco negro, se existente, é extremamente discreto. Principais pontos do estudo:


  • Monitoramento de 1,4 milhão de estrelas ao longo de duas décadas pelo Hubble;
  • Movimentos das sete estrelas centrais indicam um buraco negro com massa entre 8.200 e 47.000 massas solares;
  • Observações em rádio alcançaram sensibilidade inédita de 1,1 microjanskys a 7,25 GHz;
  • Ausência de sinais implica em eficiência de acreção mínima, com menos de 0,5% de conversão de massa em radiação.

Por que este buraco negro não emite sinais?


Ômega Centauri esconde buraco negro silencioso e quase invisível (Imagem: NASA) Fala Ciência

A falta de detecção não é necessariamente um problema, mas sim uma pista sobre o ambiente do buraco negro. Diferente de buracos negros supermassivos, que se alimentam de grandes quantidades de gás em núcleos galácticos, ou de buracos negros estelares, que podem consumir material de estrelas próximas, este objeto se encontra em um ambiente pobre em combustível.

O núcleo de Ômega Centauri provavelmente é o remanescente de uma galáxia anã engolida pela Via Láctea, e a escassez de gás disponível impede a formação de um disco de acreção, tornando o buraco negro praticamente invisível. Essa extrema quietude explica, portanto, a ausência de emissão em toda a faixa eletromagnética, incluindo rádio e raios X.


Implicações científicas do silêncio cósmico

Apesar de não emitir sinais, a existência de um buraco negro silencioso em Ômega Centauri é uma peça importante para a astronomia, pois confirmar objetos de massa intermediária ajuda a compreender a evolução dos buracos negros entre massas estelares e supermassivas, como ambientes pobres em gás afetam a atividade e a visibilidade desses gigantes e a necessidade de métodos indiretos, como o rastreamento do movimento estelar, para detectá-los. 


Assim, Ômega Centauri permanece um laboratório natural para estudar buracos negros que, embora invisíveis, exercem grande influência gravitacional sobre seu entorno, e o mistério continua, desafiando os astrônomos a desvendar seus segredos.

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