Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Onças podem desaparecer da Mata Atlântica por falta de alimento

Redução de presas causada pela caça ilegal coloca em risco cerca de 300 onças no bioma

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Caça ilegal ameaça futuro da onça-pintada na Mata Atlântica (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A onça-pintada (Panthera onca), maior felino das Américas e símbolo da biodiversidade brasileira, pode desaparecer da Mata Atlântica nas próximas décadas. O alerta vem de um estudo publicado na revista Global Ecology and Conservation, que aponta um fator muitas vezes negligenciado: a escassez de presas naturais causada principalmente pela caça ilegal.

Embora a perda de habitat continue sendo um problema relevante, os pesquisadores identificaram que a redução na oferta de alimento tem impacto direto sobre a sobrevivência do predador. Atualmente, estima-se que restem cerca de 300 indivíduos no bioma, número considerado crítico para a manutenção de uma população viável. Entre as principais presas afetadas pela pressão humana estão:


  • Porco-do-mato (Tayassu pecari);
  • Cateto (Dicotyles tajacu);
  • Cervídeos de médio e grande porte.

A diminuição dessas espécies compromete a base alimentar da onça, gerando um efeito cascata em toda a cadeia ecológica.


A queda do predador máximo pode desencadear efeito dominó no ecossistema

Como predador de topo, a onça exerce papel essencial no controle populacional de herbívoros e na manutenção do equilíbrio ambiental. Portanto, sua possível extinção na Mata Atlântica representaria não apenas a perda de uma espécie emblemática, mas também um colapso funcional do ecossistema.


Para compreender o cenário, cientistas de instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade realizaram monitoramento com armadilhas fotográficas em áreas protegidas. Além disso, avaliaram a abundância e a biomassa de 14 espécies que compõem a dieta do felino.

Os dados revelaram um padrão preocupante: regiões com maior disponibilidade de presas, especialmente em corredores de vegetação nativa, ainda mantêm populações de onça. Por outro lado, áreas costeiras e locais de fácil acesso humano apresentam queda acentuada tanto de presas quanto do próprio predador.


Quando a caça ilegal empurra o maior predador ao desaparecimento

A pesquisa indica que a caça ilegal é um dos principais motores desse declínio. Em locais mais isolados, onde o acesso é difícil, as presas mostram maior abundância. Já em regiões fragmentadas e próximas a centros urbanos, a pressão humana reduz drasticamente as populações de animais silvestres.

Consequentemente, a onça enfrenta um cenário de insegurança alimentar que compromete sua reprodução e permanência no território. Sem ações efetivas de fiscalização, recuperação de habitat e fortalecimento de corredores ecológicos, a Mata Atlântica pode se tornar o primeiro bioma do mundo a perder seu principal predador.

Diante desse quadro, especialistas defendem medidas integradas que envolvam controle rigoroso da caça, restauração ambiental e políticas públicas de conservação. Preservar a onça-pintada significa, em última análise, proteger a saúde ecológica de um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.