Ouriços conseguem ouvir ultrassom que pode reduzir atropelamentos, aponta estudo
Descoberta revela que a audição ultrassônica dos ouriços pode ajudar a reduzir atropelamentos
Fala Ciência|Do R7

Os ouriços-cacheiros europeus estão entre os mamíferos mais conhecidos da fauna europeia, mas sua população vem diminuindo de forma preocupante nas últimas décadas. Um dos principais fatores por trás desse declínio é o tráfego rodoviário, responsável por milhares de mortes desses pequenos animais todos os anos. Mas, uma nova descoberta científica pode abrir caminho para uma solução inesperada.
Pesquisadores da Universidade de Oxford identificaram que os ouriços possuem audição capaz de detectar ultrassom, uma faixa de frequência sonora que está acima do limite de audição humana. O estudo foi publicado na revista científica Biology Letters e analisou a capacidade auditiva do ouriço europeu (Erinaceus europaeus).
A descoberta sugere que dispositivos ultrassônicos poderiam ser usados futuramente para alertar ou afastar esses animais de áreas perigosas, como estradas movimentadas. Entre os principais achados da pesquisa estão:
Essas características indicam que o ultrassom pode funcionar como um sinal de alerta eficaz.
Como os cientistas descobriram a audição ultrassônica
Para investigar a audição dos ouriços, os pesquisadores realizaram experimentos com 20 animais reabilitados em centros de resgate na Dinamarca. A equipe utilizou uma técnica chamada resposta auditiva do tronco encefálico, que mede a atividade elétrica gerada entre o ouvido interno e o cérebro quando sons são emitidos.
Durante os testes, pequenos estímulos sonoros foram reproduzidos por alto-falantes enquanto eletrodos registravam as respostas neurológicas. Os resultados confirmaram que os ouriços respondem claramente a frequências muito acima do limite da audição humana, que normalmente vai até cerca de 20 kHz.
Após os experimentos, todos os animais foram examinados por veterinários e devolvidos à natureza.
A anatomia da orelha revela um sistema especializado
Além dos testes auditivos, os cientistas analisaram a estrutura interna da orelha de um ouriço utilizando tomografia computadorizada de alta resolução. O exame permitiu criar um modelo tridimensional detalhado do ouvido do animal. Essa análise revelou várias adaptações importantes:
Essas características são frequentemente observadas em animais que detectam sons ultrassônicos, como morcegos.
Tecnologia ultrassônica pode ajudar na conservação
A descoberta abre novas possibilidades para a proteção da fauna silvestre. Como humanos e muitos animais domésticos não percebem essas frequências, dispositivos ultrassônicos poderiam ser instalados em veículos ou equipamentos de jardinagem, por exemplo, para alertar os ouriços antes de um possível impacto.
Se essa abordagem se mostrar eficaz em estudos futuros, poderá ajudar a reduzir significativamente os atropelamentos, um dos maiores desafios para a sobrevivência da espécie.
Além disso, a pesquisa levanta novas questões científicas. Ainda não se sabe se os ouriços utilizam o ultrassom para comunicação entre indivíduos ou para localizar presas no ambiente. Independentemente da resposta, a descoberta mostra que compreender melhor a biologia dos animais pode revelar soluções inovadoras para sua conservação, especialmente em um mundo cada vez mais dominado por atividades humanas.
*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Leandro C. Sinis, Biólogo (UFRJ).














