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Pais ‘grávidos’? Entenda a estranha síndrome de Couvade

Futuros pais podem sentir sintomas da gravidez junto com a parceira

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Pais podem sentir sintomas físicos da gravidez da parceira. (Foto: Pocstock via Canva) Fala Ciência

Imagine experimentar náuseas, fadiga intensa e dores físicas enquanto sua parceira está grávida, mesmo sem estar esperando um bebê. Essa experiência é conhecida como Síndrome de Couvade (SC), um fenômeno pouco estudado que envolve reações físicas e emocionais nos futuros pais, refletindo a conexão profunda com a gestante.

O termo vem do francês couver, que significa “chocar” ou “aninhamento”, e descreve uma condição observada desde a antiguidade. Originalmente, homens participavam de rituais de apoio à gestante, mas hoje os sintomas ocorrem de forma espontânea e empática, sendo uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e culturais.


Sintomas que imitam a gravidez

Os sintomas da SC podem ser surpreendentemente semelhantes aos da gestante, incluindo:


  • Náuseas e alterações no apetite
  • Fadiga intensa e sensação de mal-estar
  • Dores nas costas, dentes, cabeça e articulações
  • Ganho de peso leve
  • Mudanças de humor, ansiedade e alterações de sono

Esses sinais geralmente surgem nos primeiros e últimos trimestres, desaparecendo logo após o nascimento do bebê. Apesar de parecer uma condição “estranha”, pesquisas sugerem que ela tem bases fisiológicas, hormonais e emocionais.


Frequência mundial da Síndrome de Couvade

Um estudo realizado por J Sá Couto et al., 2023 e publicado na revista European Pyschiatry, compilou dados de diferentes regiões e revelou que a incidência da SC varia muito, dependendo de fatores culturais e sociais:


  • Suécia: 20%
  • Estados Unidos: 25–97%
  • Tailândia: 61%
  • China: 68%
  • Rússia: 35%

Em pesquisa realizada por Lipkin e Lamb (1982) com 300 casais em Nova York, 22,5% dos futuros pais apresentaram sintomas de Couvade. Esses números mostram que, embora pouco reconhecida, a síndrome é relativamente comum, afetando uma parcela significativa de pais e parceiros durante a gestação.

Origens e causas possíveis

Náuseas, fadiga e mudanças de humor atingem futuros pais. (Foto: Prostock-studio via Canva) Fala Ciência

A Síndrome de Couvade é considerada multifatorial, com explicações que envolvem aspectos fisiológicos, psicológicos e culturais:

  • Psicológicos: O estresse relacionado à expectativa da paternidade e às mudanças na rotina familiar pode desencadear sintomas físicos.
  • Hormonais: Estudos mostram que homens que apresentam Couvade frequentemente apresentam queda nos níveis de testosterona e estradiol, mudanças que podem influenciar o humor, ganho de peso e comportamentos de cuidado.
  • Culturais: Em muitas sociedades, rituais de apoio ao parto e à gestação faziam parte do reconhecimento social do pai. Hoje, esses fatores históricos podem se refletir em comportamentos e sintomas modernos.

A interação entre essas dimensões sugere que a SC não é apenas uma reação psicológica ou simbólica, mas também envolve alterações reais no corpo e no cérebro do futuro pai.

Implicações para a paternidade e saúde emocional

Apesar de não estar classificada oficialmente na CID ou DSM, a SC revela que a gestação afeta profundamente ambos os parceiros. A síndrome pode funcionar como uma forma de empatia física e emocional, ajudando o pai a se engajar mais no período gestacional e nos cuidados pós-parto.

Além disso, a SC evidencia que o estresse, ansiedade e mudanças hormonais que ocorrem nesse período são normais e fazem parte da adaptação à nova vida familiar. Reconhecer os sintomas pode melhorar o suporte do pai à gestante, fortalecer vínculos e reduzir a tensão emocional durante a gravidez.

A Síndrome de Couvade combina reações fisiológicas, emocionais e comportamentais, funcionando como um reflexo da adaptação do pai ao papel parental. Embora ainda seja pouco compreendida, ela demonstra que a gestação não afeta apenas a mulher, mas toda a dinâmica familiar.

Compreender a SC ajuda profissionais de saúde e casais a lidarem melhor com as mudanças físicas e emocionais do período gestacional. Em última análise, essa síndrome revela como a paternidade começa muito antes do nascimento do bebê, envolvendo ajustes psicológicos, hormonais e sociais nos futuros pais.

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