Pele de peixe pode virar embalagem e reduzir plástico no planeta
Biofilmes de gelatina extraídos de peixe mostram potencial para substituir plásticos em alimentos
Fala Ciência|Do R7

A busca por alternativas ao plástico convencional acaba de ganhar um aliado improvável: a pele de um peixe amazônico. Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biofilme biodegradável capaz de atuar como embalagem para alimentos, utilizando resíduos da aquicultura como matéria-prima. A inovação, publicada na revista científica Foods, representa um avanço importante rumo a soluções mais sustentáveis para o setor alimentício.
O material foi produzido a partir da pele do tambatinga, um peixe híbrido amplamente cultivado no Brasil. Rico em colágeno, esse resíduo industrial geralmente descartado mostrou grande potencial para gerar polímeros naturais, capazes de substituir parcialmente os plásticos derivados do petróleo.
Além disso, por se tratar de uma espécie tropical, o tambatinga apresenta alta concentração de aminoácidos estruturais, o que melhora as propriedades físicas e funcionais da gelatina extraída. Entre os principais diferenciais desse biofilme, destacam-se:
Da pele ao filme: como o material é produzido?
O processo começa com a limpeza e tratamento das peles de peixe, seguidos da extração da gelatina por meio de água aquecida e soluções levemente ácidas. Em seguida, essa gelatina é transformada em uma solução que, após secagem controlada, forma um filme fino e resistente.
O resultado é um material com características semelhantes às embalagens plásticas convencionais, porém com uma vantagem crucial: se decompõe naturalmente no ambiente, sem gerar microplásticos ou resíduos tóxicos.
Um biofilme com desempenho surpreendente
Testes laboratoriais mostraram que o biofilme apresenta boa resistência mecânica, além de capacidade de bloquear radiação ultravioleta e reduzir a passagem de vapor de água, superando outros materiais similares descritos na literatura científica.
Essas propriedades tornam o material promissor para proteger alimentos sensíveis à luz e à oxidação, como oleaginosas e produtos secos.
No entanto, há uma limitação relevante: a sensibilidade à umidade. Isso significa que, por enquanto, o uso é mais indicado para produtos desidratados, como castanhas, nozes e snacks.
Mesmo com essa restrição, o estudo abre caminho para aplicações futuras em embalagens alimentares, farmacêuticas e biomédicas. Além de reduzir o consumo de plástico, a tecnologia agrega valor econômico à cadeia da aquicultura e promove uma lógica de economia circular.
Ao transformar resíduos em materiais de alto desempenho, esse tipo de inovação mostra como a biotecnologia pode ser uma aliada estratégica no combate à poluição e na transição para um modelo industrial mais sustentável.














