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Perda auditiva tratada pode diminuir risco de demência em idosos

Estudo mostra associação entre uso consistente de aparelhos auditivos e menor risco de demência em idosos

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Tratar audição pode proteger o cérebro. (Foto: Africa Images via Canva) Fala Ciência

A relação entre perda auditiva e demência tem despertado crescente interesse científico. Embora já se saiba que dificuldades auditivas estejam associadas ao declínio cognitivo, ainda era incerto se tratar a audição poderia alterar esse risco. Um estudo recente trouxe uma resposta surpreendente: os aparelhos auditivos não melhoraram os testes de memória, mas foram associados a uma redução significativa no risco de demência.

A pesquisa foi publicada em 2026 na revista Neurology, no estudo intitulado Treatment of Hearing Loss With Hearing Aids for the Prevention of Cognitive Decline and Dementia (DOI: 10.1212/WNL.0000000000214572).


Memória estável, mas risco de demência reduzido

O estudo acompanhou 2.777 adultos australianos, com média de 75 anos, todos com perda auditiva moderada e sem diagnóstico inicial de demência. Nenhum participante utilizava aparelhos auditivos no início da pesquisa.


Durante sete anos, os voluntários realizaram avaliações anuais que mediam:

  • Memória
  • Linguagem
  • Velocidade de processamento mental
  • Raciocínio


Ao longo do acompanhamento, 117 participantes desenvolveram demência.

Quando os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo entre quem recebeu prescrição de aparelhos auditivos e quem não recebeu, não houve diferenças relevantes nas pontuações dos testes. Ou seja, o uso do dispositivo não resultou em melhora mensurável da memória ou do raciocínio.


Contudo, ao analisar especificamente o diagnóstico de demência, o cenário mudou.

Uma redução de 33% no risco de demência

Entre os participantes que receberam prescrição de aparelhos auditivos, 5% desenvolveram demência. Já entre aqueles que não utilizaram o recurso, o índice foi de 8%.

Após ajustes para fatores como idade, sexo, diabetes e doenças cardíacas, a diferença representou uma redução de 33% no risco de demência entre os usuários de aparelhos auditivos.

Além disso, o estudo identificou outro ponto relevante: quanto mais consistente era o uso do dispositivo, menor parecia ser o risco ao longo do tempo.

Impacto também no comprometimento cognitivo

Os pesquisadores também avaliaram o chamado comprometimento cognitivo, categoria que inclui tanto declínio cognitivo leve quanto demência estabelecida.

Os resultados mostraram que:

  • 36% dos usuários de aparelhos auditivos desenvolveram comprometimento cognitivo
  • 42% dos não usuários apresentaram o mesmo quadro

Isso corresponde a uma redução de 15% no risco.

Embora os testes formais de memória não tenham demonstrado melhora, os dados sugerem um possível efeito protetor na trajetória do envelhecimento cerebral.

Por que isso pode acontecer?

Uma das hipóteses é que a maioria dos participantes já apresentava boa saúde cognitiva no início do estudo, o que reduz a margem para observar melhorias nos testes padronizados.

Além disso, tratar a perda auditiva pode:

  • Reduzir o isolamento social
  • Diminuir o esforço mental excessivo para compreender sons
  • Melhorar a comunicação e o engajamento social

Esses fatores são reconhecidos como importantes para a saúde cerebral ao longo do envelhecimento.

O que os resultados realmente significam

É importante destacar que o estudo demonstra uma associação, e não prova que os aparelhos auditivos previnem diretamente a demência. Ainda assim, os achados reforçam a importância de diagnosticar e tratar precocemente a deficiência auditiva.

O financiamento da pesquisa envolveu os National Institutes of Health, o National Institute on Aging, o governo australiano e a Universidade Monash.

Diante do envelhecimento populacional global, intervenções acessíveis e seguras ganham destaque. Cuidar da audição pode ser mais do que uma questão de comunicação, pode ser também uma estratégia para preservar o cérebro.

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