Pesquisadores encontram pista cerebral para tratar depressão resistente
Um biomarcador cerebral promete transformar o tratamento da depressão resistente
Fala Ciência|Do R7

A compreensão da depressão resistente sempre foi um dos maiores desafios da psiquiatria moderna. No entanto, novos avanços começam a redesenhar esse cenário.
Um estudo publicado na Nature Communications trouxe um achado promissor: um padrão elétrico específico no cérebro capaz de prever quem responde melhor à estimulação cerebral profunda, técnica utilizada em pacientes com depressão grave sem melhora com tratamentos convencionais.
Um marco na busca por abordagens mais precisas
A estimulação cerebral profunda utiliza eletrodos implantados em regiões profundas do cérebro para modular circuitos associados ao humor, estresse e motivação. O estudo analisou 26 pessoas com depressão resistente e observou que cerca de metade demonstrou melhora significativa ao longo de um ano de acompanhamento.
Entretanto, o ponto decisivo foi a identificação de um biomarcador neural no núcleo do leito da estria terminal, área envolvida no processamento do estresse. Antes da intervenção, pacientes que apresentavam menor atividade elétrica na faixa teta (4 a 8 Hz) mostraram maior probabilidade de responder positivamente ao tratamento.
Como o cérebro revela sua resposta ao tratamento

A equipe combinou diversas ferramentas de investigação para construir um panorama completo da atividade cerebral, incluindo exames de imagem, registros intracranianos e modelos computacionais. A partir disso, observaram que:
Esse tipo de descoberta abre caminho para conduzir terapias baseadas em perfil elétrico individual, tornando o tratamento mais eficiente e personalizado.
Aplicações que podem transformar o futuro da psiquiatria
Com esse marcador, pesquisadores sugerem que a estimulação cerebral profunda poderá se tornar adaptativa, ajustando automaticamente a intensidade do estímulo conforme o cérebro sinaliza sua resposta. Isso reduz riscos, aumenta a precisão e evita intervenções desnecessárias.
Além disso, o modelo proposto pelo estudo amplia a possibilidade de:
Embora os resultados sejam promissores, os autores reforçam a necessidade de estudos mais amplos para confirmar as conclusões e expandir seu uso clínico.















