Pesquisadores identificam possível mineral inédito em região misteriosa de Marte
Descoberta pode revelar pistas sobre água antiga e atividade geotérmica no planeta vermelho
Fala Ciência|Do R7

A superfície de Marte guarda registros valiosos de processos geológicos que ocorreram há bilhões de anos. Agora, uma nova investigação científica indica que alguns desses registros podem incluir um mineral até então desconhecido, preservado em depósitos antigos do planeta vermelho.
O estudo, publicado na revista Nature Communications e liderado pela pesquisadora Janice Bishop, analisou minerais presentes em áreas próximas ao gigantesco sistema de cânions Valles Marineris. Os resultados sugerem a presença de um composto raro chamado hidroxissulfato férrico, uma forma incomum de sulfato de ferro que pode representar um mineral ainda não catalogado oficialmente.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas combinaram dados orbitais obtidos por sondas espaciais com experimentos realizados em laboratório. Essa abordagem permitiu compreender melhor como determinados minerais podem se formar e se transformar nas condições ambientais de Marte. Entre os fatores que ajudaram a revelar essa possível descoberta estão:
Regiões marcianas que guardam sinais de um passado mais úmido
A investigação concentrou-se em duas áreas específicas próximas a Valles Marineris, uma gigantesca rede de cânions que se estende por milhares de quilômetros na superfície marciana.
Uma dessas regiões é Aram Chaos, uma área marcada por terrenos fragmentados que provavelmente se formaram após grandes inundações no passado. A outra está localizada no planalto acima de Juventae Chasma, um profundo vale que preserva evidências de antigos fluxos de água.
Nesses locais, os pesquisadores identificaram depósitos minerais que provavelmente se formaram quando poças de água ricas em sulfato evaporaram lentamente, deixando para trás camadas de minerais ricos em ferro.
Com o passar do tempo, esses depósitos ficaram preservados sob diferentes camadas geológicas, permitindo que cientistas os investiguem atualmente por meio de observações orbitais.
Experimentos revelam como o calor altera minerais em Marte
Para compreender melhor a origem desses minerais, os cientistas realizaram experimentos que simulam condições semelhantes às encontradas no planeta vermelho.
Os testes mostraram que sulfatos hidratados, que contêm moléculas de água em sua estrutura, podem sofrer transformações químicas quando expostos ao calor. Durante esse processo:
Essas mudanças também alteram a forma como os minerais absorvem luz infravermelha, o que permite identificá-los remotamente por instrumentos científicos instalados em sondas que orbitam Marte.
Pistas de atividade geotérmica no planeta vermelho
A formação do hidroxissulfato férrico sugere que algumas regiões de Marte podem ter experimentado temperaturas relativamente elevadas no passado. Esse aquecimento pode ter sido causado por atividade vulcânica ou fontes geotérmicas subterrâneas.
Os pesquisadores acreditam que os depósitos analisados podem ter se formado durante o período Amazônico, uma fase relativamente recente da história geológica marciana, iniciada há menos de três bilhões de anos.
Se confirmado oficialmente como um novo mineral, o hidroxissulfato férrico poderá ajudar os cientistas a entender melhor a evolução química e térmica de Marte. Além disso, ambientes que combinaram água, minerais e calor são considerados especialmente relevantes na investigação sobre possíveis condições favoráveis à vida no passado do planeta vermelho.














