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Poeira estelar presa no gelo da Antártida revela passado oculto do sistema solar

Vestígios de ferro radioativo encontrados na Antártida ajudam cientistas a reconstruir a história espacial da Terra

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Gelo da Antártida revelou poeira estelar ligada a antigas explosões de supernovas próximas. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

O gelo da Antártida está revelando muito mais do que antigas mudanças climáticas. Pesquisadores descobriram que camadas congeladas do continente guardam partículas de poeira estelar capazes de contar detalhes sobre a trajetória do sistema solar pela galáxia ao longo de dezenas de milhares de anos.

O estudo, publicado na revista Physical Review Letters, analisou traços de ferro-60, um raro isótopo radioativo associado a explosões de estrelas massivas conhecidas como supernovas. Esse material funciona como uma espécie de assinatura cósmica, permitindo rastrear eventos ocorridos muito antes da existência humana.


Os cientistas acreditam que essas partículas viajaram pelo espaço interestelar até alcançarem a Terra, onde ficaram preservadas no gelo antártico. Entre os principais achados da pesquisa estão:

  • Identificação de poeira interestelar aprisionada no gelo;
  • Evidências da travessia do sistema solar por nuvens cósmicas;
  • Mudanças na quantidade de ferro-60 ao longo do tempo;
  • Indícios de antigas explosões estelares próximas da vizinhança solar.


O gelo antártico virou um arquivo do espaço profundo

Enquanto telescópios observam estrelas distantes, essa pesquisa adotou uma estratégia diferente: investigar diretamente os resíduos deixados por eventos cósmicos aqui na Terra.


A neve acumulada na Antártida ao longo de milhares de anos preserva partículas microscópicas vindas do espaço. Cada camada funciona como um registro natural do ambiente cósmico atravessado pelo sistema solar em diferentes épocas.

Para investigar esse material, os pesquisadores derreteram centenas de quilos de gelo antigo e utilizaram técnicas extremamente sensíveis para identificar átomos individuais de ferro-60. O resultado surpreendeu a equipe científica.


Os níveis encontrados eram menores do que o esperado, indicando que a quantidade de poeira interestelar chegando à Terra variou significativamente entre 40 mil e 80 mil anos atrás.

Sistema solar pode ter atravessado nuvens interestelares gigantes

Cientistas encontraram no gelo pistas da jornada cósmica do sistema solar pela galáxia. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A descoberta reforça uma hipótese importante da astronomia moderna: o sistema solar estaria atravessando regiões densas de gás e poeira conhecidas como nuvens interestelares locais.

Essas estruturas ocupam parte da nossa vizinhança galáctica e provavelmente se formaram após antigas explosões de supernovas. Conforme o sistema solar se move pela Via Láctea, ele atravessa diferentes regiões desse ambiente interestelar, alterando a quantidade de partículas cósmicas que chegam à Terra.

O comportamento observado no gelo antártico coincide justamente com estimativas astronômicas sobre o período em que o sistema solar teria entrado na chamada Nuvem Interestelar Local.

Além de ajudar a entender o passado da nossa vizinhança cósmica, a pesquisa também mostra como a Terra preserva registros naturais de fenômenos espaciais extremamente antigos. Com análises mais profundas em camadas ainda mais antigas de gelo, os cientistas esperam reconstruir capítulos desconhecidos da história do sistema solar.

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