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Recuo das geleiras ameaça áreas de alimentação essenciais para focas da Groenlândia

Áreas próximas às geleiras sustentam predadores marinhos e comunidades inuítes

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Focas-aneladas do Ártico enfrentam mudanças na dieta por derretimento glacial (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

O derretimento das geleiras de maré na Groenlândia está provocando impactos inesperados na vida marinha local. Pesquisadores descobriram que as focas-aneladas dependem dessas regiões como pontos estratégicos de alimentação, ricos em nutrientes e em espécies como o bacalhau-do-ártico. A perda dessas áreas pode alterar não apenas a dieta das focas, mas todo o equilíbrio dos ecossistemas árticos.

Estudar a alimentação de mamíferos marinhos é desafiador, pois esses animais se alimentam em águas profundas e em regiões isoladas. Para contornar essa dificuldade, pesquisadores colaboraram com comunidades inuítes, que realizam a caça de subsistência, permitindo relacionar locais de captura com o conteúdo estomacal das focas.


Descobertas principais do estudo

O estudo publicado na revista Communications Earth & Environment (2026) trouxe dados inéditos sobre o comportamento alimentar das focas-aneladas. Entre os pontos mais relevantes:


  • Proximidade das geleiras: focas capturadas perto das frentes glaciares apresentaram estômagos mais pesados, dominados por bacalhau-do-ártico;
  • Variação espacial da dieta: quanto mais distante da geleira, menor a concentração de presas nutritivas;
  • Impactos no ecossistema: mudanças na alimentação das focas podem afetar predadores, incluindo ursos polares e comunidades que dependem do recurso.

Essas descobertas destacam como os processos de ressurgência glacial, que concentram nutrientes e organismos marinhos, são vitais para a sobrevivência das focas e, consequentemente, de toda a cadeia alimentar.


Consequências do recuo glacial

Com o aquecimento global, muitas geleiras de maré estão recuando ou retornando para a terra, eliminando pontos de alimentação essenciais para as focas. A redução dessas áreas pode forçar os animais a alterar sua dieta para espécies menos nutritivas, mudar sua distribuição geográfica em busca de alimento e sofrer alterações na condição corporal, impactando sua reprodução e sobrevivência. 


Além disso, o estudo evidencia que a cooperação com comunidades locais não apenas amplia a qualidade e a quantidade de dados científicos, mas também oferece uma visão detalhada sobre como mudanças ambientais afetam tanto as espécies quanto as culturas tradicionais no Ártico.

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