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Remédio usado em demência pode aumentar risco de AVC, aponta pesquisa

Grande estudo com pacientes com demência revela possível ligação entre antipsicótico e maior risco de AVC

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Pesquisa com 165 mil pacientes aponta risco de AVC. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A demência é uma condição neurológica que afeta milhões de pessoas no mundo e frequentemente provoca sintomas difíceis de controlar, como agitação intensa, agressividade e alterações comportamentais. Em muitos casos, quando abordagens não medicamentosas não são suficientes, médicos recorrem a medicamentos antipsicóticos para ajudar a estabilizar esses sintomas.

No entanto, um estudo recente envolvendo mais de 165 mil pacientes com demência identificou uma possível associação entre o uso do antipsicótico risperidona e um aumento no risco de acidente vascular cerebral (AVC).


A pesquisa foi publicada na revista científica The British Journal of Psychiatry, no estudo intitulado “Risk of stroke associated with risperidone in dementia with and without comorbid cardiovascular disease: population-based matched cohort study”, liderado por Joshua Choma e publicado em 2025 (DOI: 10.1192/bjp.2025.10419).

Os resultados sugerem que o risco pode estar presente em diferentes perfis de pacientes, inclusive naqueles sem histórico prévio de doenças cardiovasculares.


Um dos medicamentos mais usados para controlar agitação

A risperidona é um antipsicótico amplamente utilizado para tratar agitação severa e comportamentos agressivos em pessoas com demência. Esses sintomas são relativamente comuns e podem causar sofrimento tanto para os pacientes quanto para familiares e cuidadores.


Em muitos casos, a medicação é considerada a última alternativa terapêutica, utilizada quando estratégias comportamentais ou ambientais não conseguem controlar os sintomas.

No Reino Unido, por exemplo, a risperidona é atualmente o único antipsicótico oficialmente licenciado para esse tipo de uso em pacientes com demência.


O que o estudo revelou sobre o risco de AVC

Para compreender melhor os possíveis efeitos da medicação, os pesquisadores analisaram registros médicos anonimizados do sistema de saúde britânico, coletados ao longo de quase duas décadas.

A investigação comparou dois grupos de pacientes com demência:

• pessoas que receberam prescrição de risperidona
• pacientes semelhantes que não utilizavam o medicamento

Os resultados mostraram diferenças importantes nas taxas de acidente vascular cerebral.

Entre pacientes que já tinham histórico de AVC, a taxa anual foi de:

22,2 casos por 1000 pessoas entre usuários de risperidona
17,7 casos por 1000 pessoas entre aqueles que não utilizavam o medicamento

Já entre pacientes sem histórico prévio de AVC, o risco também apresentou aumento, embora em menor magnitude:

2,9 casos por 1000 pessoas entre usuários
2,2 casos por 1000 pessoas entre não usuários

Outro dado relevante foi que o risco pareceu mais evidente nos primeiros meses de uso do medicamento, especialmente nas primeiras 12 semanas de tratamento.

Desafios no tratamento da agitação na demência

A agitação relacionada à demência pode afetar cerca de metade dos pacientes diagnosticados, tornando o manejo clínico bastante complexo.

Diante desse cenário, profissionais de saúde precisam equilibrar dois aspectos importantes:

reduzir o sofrimento causado pela agitação severa
evitar efeitos adversos potencialmente graves

Além disso, as opções terapêuticas ainda são limitadas. Atualmente, poucos medicamentos foram aprovados especificamente para tratar sintomas comportamentais da demência.

Uso prolongado e monitoramento ainda são desafios

Embora as diretrizes de saúde recomendem que o tratamento com risperidona seja limitado a períodos curtos, geralmente até seis semanas, a prática clínica nem sempre segue esse padrão.

Em muitos casos, pacientes permanecem em uso da medicação por períodos mais prolongados, especialmente quando os sintomas comportamentais persistem.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que a forma de monitoramento do risco cardiovascular pode variar entre serviços de saúde, o que reforça a necessidade de avaliações mais consistentes.

O que os resultados significam para pacientes e médicos

Os resultados da pesquisa indicam que o risco de AVC associado à risperidona pode ocorrer em diferentes grupos de pacientes com demência, o que levanta novas discussões sobre como esse medicamento deve ser utilizado.

Isso não significa que o tratamento deva ser interrompido automaticamente, mas reforça a importância de avaliações individualizadas, levando em consideração o equilíbrio entre benefícios e riscos.

Diante desse cenário, decisões terapêuticas devem sempre considerar o quadro clínico do paciente, a gravidade dos sintomas e o acompanhamento médico adequado.

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