Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Rochas da Apollo revelam explosões magnéticas extremas na Lua

Nova análise indica que a Lua alternou entre fraqueza e explosões magnéticas breves

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Rochas da Apollo revelam picos raros de magnetismo (Imagem: Pexels via Canva) Fala Ciência

Durante décadas, cientistas debateram se a Lua já teve um campo magnético poderoso ou se sempre foi fraco. Agora, uma nova análise de rochas trazidas pelas missões Programa Apollo sugere que as duas hipóteses estavam parcialmente corretas. A Lua apresentou, sim, episódios de magnetismo extremamente intenso, porém curtos e raros.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford e publicado na Nature Geoscience, reavaliou amostras lunares coletadas há mais de 50 anos. A conclusão aponta que o satélite alternou longos períodos de campo fraco com breves “explosões” magnéticas que, em alguns momentos, superaram até a intensidade do campo da Terra. Os principais achados incluem:


  • Existência de picos magnéticos muito fortes, porém breves;
  • Duração estimada de milhares de anos ou até menos;
  • Relação direta entre alto teor de titânio nas rochas e magnetismo intenso;
  • Indícios de viés de amostragem nas missões lunares.

Um campo magnético intermitente


A maioria das rochas analisadas nas décadas passadas indicava um campo magnético robusto no passado lunar. No entanto, todas as missões Apollo pousaram em regiões semelhantes, ricas em basaltos vulcânicos com elevado teor de titânio. Esse detalhe geológico acabou influenciando a interpretação histórica.

Ao correlacionar composição química e magnetização preservada nas rochas, os pesquisadores observaram um padrão claro: amostras com altos níveis de titânio registravam campos muito intensos. Já aquelas com menos de 6% desse elemento mostravam sinais de um campo fraco e estável.


Esse resultado sugere que o interior lunar pode ter gerado um dínamo intermitente, ativado por processos de fusão de material rico em titânio próximo à fronteira entre núcleo e manto.

O papel do pequeno núcleo lunar


Uma das grandes dúvidas sempre foi como a Lua, com um núcleo relativamente pequeno, cerca de um sétimo de seu raio, poderia sustentar um campo tão forte. O novo modelo indica que não se tratava de estabilidade prolongada, mas de eventos energéticos esporádicos capazes de intensificar temporariamente o magnetismo.

Ou seja, a Lua não manteve um escudo magnético contínuo como o da Terra. Em vez disso, apresentou “rajadas” magnéticas que duraram pouco em termos geológicos.

A descoberta tem implicações diretas para futuras explorações, como o programa Artemis, que poderá coletar amostras de regiões diferentes. Uma distribuição mais ampla de rochas permitirá testar se esses picos foram realmente raros e localizados.

Além de esclarecer a história térmica e interna da Lua, o estudo também ajuda a compreender como corpos celestes pequenos podem gerar campos magnéticos complexos. Assim, o que parecia uma contradição científica revelou-se uma questão de amostragem e contexto geológico.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.