Satélites detectam salto preocupante na elevação global do mar
Estudo de 30 anos mostra que o derretimento do gelo já é o principal motor da elevação dos oceanos
Fala Ciência|Do R7

O avanço silencioso dos oceanos acaba de ganhar um retrato mais preciso e mais preocupante. Uma análise de três décadas conduzida pela Universidade Politécnica de Hong Kong revela que o nível médio global do mar não apenas continua subindo, como está acelerando. Mais do que isso: o principal responsável agora é o derretimento do gelo terrestre, e não apenas o aquecimento das águas.
Entre 1993 e 2022, os oceanos subiram cerca de 90 milímetros, com média anual de 3,3 mm, ritmo que vem aumentando ao longo do tempo. Aproximadamente 60% dessa elevação ocorreu devido ao acréscimo de massa de água proveniente do gelo derretido.
O que está impulsionando a alta dos oceanos?
A elevação do nível do mar é explicada por dois mecanismos principais: a expansão térmica, que ocorre quando a água se dilata à medida que aquece, e o aumento de massa oceânica, resultado da entrada de água proveniente do derretimento de geleiras e calotas polares. Nas últimas duas décadas, esse segundo fator passou a predominar de forma clara. O derretimento acelerado da Groenlândia e de geleiras de montanha já responde por mais de 80% do ganho de massa oceânica registrado no período analisado.
O diferencial do estudo foi a aplicação do rastreamento a laser por satélite (SLR) para detectar variações no campo gravitacional da Terra, técnica capaz de estimar diretamente mudanças na massa dos oceanos. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, com autoria de Yufeng Nie, Jianli Chen e colaboradores.
Embora a altimetria por satélite já acompanhasse a altura da superfície oceânica, medições diretas da variação de massa ganharam maior consistência após missões como o GRACE, lançada em 2002. Ainda assim, o novo trabalho conseguiu reconstruir uma série histórica contínua desde 1993 graças a um modelo matemático inovador, que aprimorou a resolução espacial das medições gravitacionais. Principais pontos do estudo:
Degelo acelerado redesenha o futuro das cidades costeiras
A aceleração da perda de gelo continental indica que os impactos das mudanças climáticas estão se intensificando. Como consequência, os modelos climáticos precisam incorporar com maior precisão o papel dominante do derretimento polar nas projeções futuras. Além disso, a elevação acelerada do nível do mar amplia riscos significativos, como inundações costeiras mais frequentes, salinização de aquíferos e perda de áreas habitáveis.
Dessa forma, compreender a contribuição exata da massa oceânica deixa de ser apenas uma questão científica e passa a ser estratégica para o planejamento de políticas de adaptação climática. Portanto, os dados mostram que os oceanos estão respondendo de maneira cada vez mais rápida ao aquecimento global e, se essa tendência persistir, os próximos 30 anos poderão trazer mudanças ainda mais expressivas no nível do mar.
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