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Seu cachorro pode estar mudando o ar que você respira

Pesquisa mostra como cães influenciam a composição microbiana do ar dentro de casa

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Fala Ciência|Do R7

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Cães grandes liberam mais micróbios no ar (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Você pode não ver, mas o ar da sua casa está em constante transformação. Cada movimento, respiração ou interação altera sua composição. Agora, uma pesquisa publicada na revista Environmental Science & Technology revela que os cães, especialmente os de grande porte, exercem um impacto significativo na qualidade do ar interno.

O estudo avaliou, em ambiente controlado, como esses animais contribuem para a liberação de gases, partículas e microrganismos em espaços fechados. Os resultados mostram que cães grandes podem emitir de duas a quatro vezes mais micróbios no ar do que humanos nas mesmas condições. Os pesquisadores observaram que:


  • A emissão de CO₂ por cães grandes é semelhante à de um adulto em repouso;
  • A proporção de amônia liberada em relação ao CO₂ é maior nos cães;
  • A movimentação do animal intensifica a dispersão de partículas biológicas.

Metabolismo, proteínas e emissão de gases


Assim como ocorre com humanos, os cães liberam dióxido de carbono pela respiração e pequenas quantidades de amônia decorrentes da atividade metabólica. A principal diferença, porém, está na proporção: em relação ao volume de CO₂ exalado, os cães produzem mais amônia. 

Esse padrão pode estar relacionado a uma dieta mais rica em proteínas, que favorece a formação de compostos nitrogenados, ao metabolismo próprio da espécie e à respiração mais acelerada utilizada para regular a temperatura corporal. Ainda assim, ao longo de um dia inteiro, incluindo os períodos de descanso, a emissão total desses gases tende a se aproximar da observada em humanos.


Movimento que gera “nuvens” invisíveis

O efeito mais marcante não está nos gases, mas nas partículas. Sempre que um cão se sacode, brinca ou recebe carinho, libera uma combinação de:


  • Poeira e pólen trazidos do ambiente externo;
  • Fragmentos de pele e pelos;
  • Microrganismos aderidos à pelagem.

Sensores de alta precisão registraram verdadeiras “nuvens” de partículas suspensas no ar após esses movimentos. Cães de grande porte apresentaram impacto significativamente maior.

É importante destacar que maior diversidade microbiana não significa necessariamente risco. Em alguns contextos, a exposição variada a microrganismos pode favorecer o desenvolvimento do sistema imunológico, especialmente na infância. No entanto, para pessoas com alergias ou doenças respiratórias, a resposta pode ser diferente.

Reações químicas além do que se imagina

Outro aspecto relevante envolve o ozônio, poluente que penetra em ambientes internos. Quando entra em contato com resíduos da pele humana depositados nos pelos dos cães, pode formar compostos secundários e partículas ultrafinas.

Embora os cães gerem menos derivados de ozônio do que humanos, o estudo evidencia que a interação entre pessoas, animais e poluentes é mais complexa do que se pensava. Em resumo, os cães atuam como agentes dinâmicos na redistribuição de material biológico dentro de casa. Compreender esse processo é fundamental para aprimorar estratégias de ventilação, controle de poluentes e saúde ambiental doméstica.

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