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Stents vasculares que se expandem sozinhos podem transformar tratamentos cardíacos

Dispositivos impressos em 4D respondem à temperatura corporal e reduzem invasividade

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Stents inteligentes podem tornar cirurgias mais seguras. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

As doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no mundo, exigindo soluções cada vez mais seguras, eficazes e personalizadas. Procedimentos como o implante de stents são amplamente utilizados para restaurar o fluxo sanguíneo em artérias comprometidas, porém ainda apresentam limitações importantes, como a necessidade de técnicas invasivas, aquecimento externo e riscos de lesão vascular. Nesse cenário, uma inovação recente pode representar um avanço decisivo na cardiologia intervencionista.

Pesquisadores desenvolveram stents vasculares inteligentes impressos em 4D, capazes de se expandir automaticamente ao atingir a temperatura corporal, sem qualquer estímulo externo. O estudo foi publicado na revista Advanced Functional Materials, no artigo Implantação de stents vasculares inteligentes impressos em 4D ativada por baixa temperatura, liderado por Yannan Li, em 2026 (DOI: 10.1002/adfm.202521468).


Por que os stents atuais ainda representam um desafio?

Embora os stents convencionais sejam eficazes, muitos exigem:


  • Procedimentos complexos de implantação
  • Aquecimento externo para ativação
  • Ajustes limitados à anatomia individual do paciente

Além disso, a rigidez excessiva pode comprometer a complacência biomecânica, aumentando o risco de inflamação, reestenose e desconforto pós-procedimento.


A revolução dos stents impressos em 4D

Stents inteligentes se expandem com a temperatura do corpo. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A impressão 4D adiciona uma nova dimensão à manufatura médica: o tempo. Esses dispositivos são programados para mudar de forma em resposta ao ambiente fisiológico. No estudo, os pesquisadores utilizaram um polímero com memória de forma à base de policaprolactona, ajustado para ativar sua expansão em torno de 37 °C, a temperatura natural do corpo humano.


Por meio da microestereolitografia de projeção, foi possível fabricar stents coronários microestruturados com alta precisão, permitindo controle rigoroso da geometria e das propriedades mecânicas.

Equilíbrio entre flexibilidade e resistência

Testes computacionais e experimentais mostraram que os novos stents apresentam:

  • Alta resistência radial, essencial para manter o vaso aberto
  • Flexibilidade mecânica, que respeita o movimento natural dos vasos
  • Recuperação rápida da forma, sem necessidade de aquecimento externo

Esse equilíbrio favorece uma integração mais suave com o tecido vascular, reduzindo o estresse mecânico a longo prazo.

Segurança biológica e potencial clínico

Ensaios in vitro demonstraram excelente citocompatibilidade com células humanas, indicando baixo risco de toxicidade. Já os testes in vivo, realizados em modelos animais, confirmaram a viabilidade da implantação e o comportamento funcional dos stents no organismo.

Esses resultados sugerem um caminho promissor para aplicações clínicas futuras, especialmente em procedimentos minimamente invasivos e em pacientes com anatomias vasculares complexas.

Um passo rumo à medicina personalizada

Além de facilitar a implantação, a tecnologia permite a customização do stent para diferentes perfis de pacientes, abrindo espaço para terapias cardiovasculares mais individualizadas. 

A mesma abordagem pode, inclusive, ser adaptada para outros dispositivos médicos implantáveis inteligentes, ampliando seu impacto na medicina moderna.

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