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SUS aposta em prevenção com antibiótico contra sífilis e clamídia

SUS adotará doxiciclina após exposição de risco para reduzir casos de sífilis e clamídia

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Paciente recebendo medicação no SUS para prevenção de ISTs. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Uma nova estratégia de saúde pública poderá mudar a forma como algumas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são prevenidas no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a autorizar o uso do antibiótico doxiciclina como profilaxia pós-exposição, com o objetivo de reduzir o risco de sífilis e clamídia após situações consideradas de risco.

A medida foi oficializada em portaria do Ministério da Saúde, publicada no Diário Oficial da União em 11 de março de 2026. Com a decisão, o sistema público terá até 180 dias para organizar a implementação da nova estratégia em seus serviços de saúde.


A iniciativa representa um passo importante na ampliação das ferramentas de prevenção contra ISTs bacterianas, que continuam sendo um desafio relevante para a saúde pública.

Como funcionará a nova estratégia de prevenção adotada pelo SUS


A nova política permite o uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição (PEP). Esse tipo de abordagem consiste em administrar um medicamento logo após uma possível exposição ao agente infeccioso, antes que a infecção consiga se estabelecer no organismo.

A indicação poderá ocorrer, por exemplo, após relações sexuais sem preservativo ou outras situações de risco para transmissão de ISTs.


Entretanto, o acesso ao medicamento seguirá critérios clínicos definidos em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, que especificarão:

• quais grupos poderão receber a profilaxia
• em quais situações o uso será indicado
• como o medicamento deverá ser administrado


Esse modelo já é utilizado em outras áreas da saúde, como na profilaxia pós-exposição ao HIV, que utiliza antirretrovirais para reduzir o risco de infecção após contato com o vírus.

Como a doxiciclina atua contra bactérias

A doxiciclina é um antibiótico amplamente utilizado na medicina há décadas. Seu mecanismo de ação consiste em bloquear a produção de proteínas essenciais para a sobrevivência das bactérias, impedindo sua multiplicação.

Quando administrado pouco tempo após a exposição ao microrganismo, o medicamento pode interromper o processo inicial de infecção, eliminando as bactérias antes que elas se espalhem pelo organismo.

No caso da sífilis e da clamídia, existe um período inicial entre o contato com a bactéria e o surgimento da infecção ativa. Esse intervalo representa uma oportunidade para que o antibiótico atue preventivamente.

Sífilis e clamídia continuam entre as ISTs mais comuns

As duas infecções alvo da nova estratégia estão entre as ISTs bacterianas mais frequentes no mundo.

A sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum, geralmente começa com uma ferida indolor na região genital, anal ou oral. Embora essa lesão possa desaparecer espontaneamente, a infecção continua no organismo e pode evoluir para fases mais graves.

Sem tratamento adequado, a doença pode atingir:

• sistema nervoso
• coração e vasos sanguíneos
• diversos órgãos internos

Além disso, a transmissão durante a gravidez pode provocar sífilis congênita, condição associada a complicações graves para o bebê.

Já a clamídia, provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis, frequentemente não apresenta sintomas. Esse fator facilita a transmissão silenciosa entre parceiros sexuais.

Quando os sinais aparecem, podem incluir:

• corrimento genital
• dor ao urinar
• dor pélvica

Sem tratamento, a infecção pode evoluir para doença inflamatória pélvica, infertilidade e dor crônica.

Prevenção ainda depende de múltiplas estratégias

Apesar da nova ferramenta terapêutica, especialistas reforçam que a profilaxia com antibiótico não substitui métodos tradicionais de prevenção.

Entre as principais estratégias continuam sendo fundamentais:

uso regular de preservativos
testagem periódica para ISTs
diagnóstico precoce e tratamento adequado
acompanhamento em serviços de saúde

A incorporação da doxiciclina como profilaxia representa, portanto, uma medida complementar dentro de um conjunto mais amplo de ações de prevenção.

Um novo recurso no combate às infecções sexualmente transmissíveis

A ampliação do uso da doxiciclina no SUS reflete o esforço de autoridades sanitárias em modernizar as estratégias de controle das ISTs, especialmente diante do aumento de casos observado em diversos países.

Ao permitir a intervenção logo após uma exposição de risco, a nova abordagem pode reduzir cadeias de transmissão e evitar complicações futuras.

Nos próximos meses, os serviços de saúde deverão se adaptar para oferecer essa nova opção de prevenção dentro das diretrizes clínicas estabelecidas.

*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Rafaela Lucena, Farmacêutica (CRF-RJ: 13912).

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