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Terra pode ter invertido polos magnéticos mais vezes do que se pensava

Análise estatística sugere que a história magnética do planeta pode estar subestimada

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Registro geológico pode esconder trocas de polos (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT) Fala Ciência

A história do campo magnético da Terra pode ser mais dinâmica, e imprevisível, do que os livros indicam. Um estudo recente publicado na Geophysical Research Letters aponta que o registro geológico das inversões dos polos magnéticos está possivelmente incompleto. Em outras palavras, o planeta pode ter trocado seus polos norte e sul mais vezes do que se acreditava.

Desde a formação da Terra, essas inversões ocorreram repetidamente, mas em intervalos irregulares. Houve épocas com mudanças frequentes e outras marcadas por longos períodos de estabilidade. Agora, novas análises estatísticas sugerem que parte dessas transições pode ter passado despercebida. Em resumo, o estudo indica:


  • O número real de inversões magnéticas pode ser maior que o registrado;
  • Alguns períodos considerados estáveis podem esconder lacunas nos dados;
  • Um método estatístico avançado revelou padrões antes invisíveis;
  • As inversões ajudam a entender o funcionamento interno do planeta.

Quando o silêncio magnético pode ser ilusório


Um dos períodos mais intrigantes é o chamado Supercrono Normal do Cretáceo, intervalo de aproximadamente 37 milhões de anos sem inversões identificadas. Tradicionalmente, ele foi interpretado como uma fase de estabilidade excepcional do campo magnético. No entanto, a nova análise levanta outra possibilidade: parte dessas “ausências” pode resultar de falhas no registro geológico.

As principais evidências das inversões vêm de rochas vulcânicas ricas em ferro. Quando a lava esfria, minerais magnéticos se alinham ao campo vigente, preservando sua direção. Nas dorsais oceânicas, esse processo cria faixas alternadas de polaridade, verdadeiros códigos de barras geológicos. Contudo, ao longo de milhões de anos, parte da crosta foi reciclada ou alterada, reduzindo as pistas disponíveis.


Estatística para decifrar o núcleo da Terra

Para contornar essas limitações, os pesquisadores aplicaram a técnica chamada estimativa adaptativa de densidade de kernel (AKDE). Esse método permite detectar padrões sutis que escapam às análises convencionais. Ao incluir possíveis inversões negligenciadas, o histórico magnético da Terra passa a apresentar um padrão mais regular.


Além disso, os resultados reforçam a hipótese de que as inversões estejam relacionadas ao fluxo de calor na fronteira entre o núcleo e o manto terrestre. Esse processo influencia o chamado geodínamo, mecanismo responsável pela geração do campo magnético.

Inversões magnéticas podem impactar tecnologia e futuro do planeta

Embora não haja evidências sólidas de ligação entre inversões e extinções em massa, uma mudança no campo magnético teria impactos relevantes. Satélites, sistemas de navegação e redes elétricas dependem da estabilidade magnética. Portanto, compreender o passado é essencial para antecipar cenários futuros.

Dessa maneira, o estudo sugere que a história magnética do planeta ainda guarda capítulos ocultos. Ao refinar os métodos de análise, a ciência se aproxima de reconstruir com maior precisão a trajetória invisível que molda tanto a superfície quanto o interior profundo da Terra.

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