Terremotos na Lua? Novo mapa revela atividade tectônica recente
Novas evidências mostram que a Lua ainda passa por ajustes internos e pode gerar tremores
Fala Ciência|Do R7

Durante décadas, a Lua foi vista como um corpo celeste praticamente inerte, marcado apenas por impactos antigos e vulcanismo extinto. No entanto, novas análises geológicas estão mudando essa visão. Um estudo recente publicado na revista The Planetary Science Journal indica que a Lua ainda passa por deformações tectônicas recentes, o que sugere a ocorrência de terremotos lunares em tempos geologicamente próximos.
Os pesquisadores criaram o primeiro mapa global das pequenas cristas dos mares lunares, estruturas conhecidas como Small Mare Ridges (SMRs). Essas formações aparecem nas grandes planícies escuras da Lua, os chamados mares lunares, e são resultado de compressões na crosta, semelhantes a falhas geológicas na Terra. Após o mapeamento, os cientistas identificaram padrões importantes:
Uma Lua que ainda se contrai
Diferentemente da Terra, a Lua não possui placas tectônicas móveis. Mesmo assim, ela sofre tensões internas. À medida que seu interior esfria ao longo de bilhões de anos, o satélite passa por um processo lento de contração global. Esse encolhimento gera compressões na crosta, formando escarpas e cristas, como se a superfície estivesse “se enrugando”.

Essas estruturas funcionam como marcas físicas desse processo. Quando a crosta se comprime, um bloco de terreno pode ser empurrado sobre outro, criando degraus geológicos visíveis por satélites.
A Lua é mais instável do que parece e isso muda tudo para futuras missões
Análises anteriores já haviam associado escarpas lunares a registros de sismos detectados durante as missões Apollo. Agora, como as SMRs apresentam um mecanismo de formação semelhante, cresce a hipótese de que elas também estejam ligadas a fontes ativas de terremotos. Isso indica que certas regiões da Lua, especialmente nos mares lunares, podem não ser tão estáveis quanto se imaginava.
Do ponto de vista científico e tecnológico, essa descoberta tem impacto direto nos planos de exploração humana. Programas como o Artemis, da NASA, pretendem estabelecer uma presença prolongada na superfície lunar, o que torna essencial conhecer áreas com potencial sísmico para escolher locais seguros de pouso, planejar bases lunares mais estáveis, reduzir riscos estruturais e projetar habitats capazes de suportar vibrações ao longo do tempo.
Desse jeito, a Lua não é apenas um fóssil do passado do Sistema Solar. Ela ainda está em transformação, e esses pequenos terremotos podem ser a evidência de que, mesmo após bilhões de anos de evolução, o satélite natural da Terra continua geologicamente ativo e dinâmico.














